País não possui grandes centros logísticos para o escoamento dos produtos agrícolas

Mais de 40 investidores, operadores e clientes foram entrevistados, de modo a participarem na implementação nacional de plataformas logísticas, referiu o director- geral do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), Catarino Pereira, em entrevista, no espaço conversas sobre a covid-19, no CIAM

Na abordagem sobre o tema “Organizações das plataformas logísticas e transformação dos grandes centros comercias e mercados a céu aberto”, Catarino Pereira, salientou que os principais operadores têm o conhecimento do mercado e, sendo assim, vão indicar as melhores áreas para a implementação das plataformas logística. O Estado terá o papel de regulador.

Questionado sobre o deficit de plataformas logísticas, argumentou que o país ainda não possui um parque logístico com requisitos internacionais. Porém, existem operadores privados e departamentos ministeriais que têm algumas infra-estruturas, embora não atendem à demanda.

“Tendo em conta, a falta de transportes, não se pode dizer que já temos um parque logístico adequado para o escoamento dos produtos do interior no país para as grandes cidades”, explicou.

Sobre a implementação de plataformas logísticas adequadas, Catarino Ferreira frisou que Angola importa mais do que produz e que tem problemas na questão de armazenamento e distribuição. Por este motivo, há sempre escassez no produto que chega ao consumidor.

“Todo o processo da cadeia de logística, enquanto não estiver organizado, poderá levar a esta situação”, disse.

Para que o país passe a ser mais exportador do que importador, o responsável apela ao investimento no sector da agricultura e na indústria em grande escala, cumprindo todos os requisitos de âmbito nacional e internacional, como é o caso da certificação e questões de fitossanidade. Logo, o país terá uma cadeia logística que vai permitir que o produtor se preocupe apenas com a produção. O mesmo acontece com o transportador, que se poderá especializar nesta área.

Em relação ao “entreposto aduaneiro”, referiu que observa alguns requisitos e acredita que “poderá ser uma plataforma logística com um determinado nível diferente”.

Catarino Pereira ressaltou que as plataformas logísticas são zonas delimitadas, com uma certa segurança, e congregam vários operadores, nomeadamente da produção, distribuição, armazenamento, transporte de mercadorias. Acrescentou ainda a componente aduaneira, com destaque para a intermodal ferroviária e rodoviária

“Neste sector, concorrem várias empresas, tal como, da banca, correios, serviços aduaneiros e fornecedores grossistas que contam com o auxílio de outros serviços. Mas não existe interação dos serviços”, explicou.

Debruçando-se sobre as vantagens das plataformas logísticas, o responsável referiu o facto de oferecerem diferentes tipos de serviços, como chamados de via verde (sistema de portagem) e o frete (valor pago pelo transporte de carga) e, tendo estas questões solucionadas, o produto chegaria ao consumidor a preços acessíveis.

No que toca aos centros comerciais, Catarino Pereira referiu que existem em todo os países. A rede nacional de plataformas logísticas deve servir para expandir a produção e distribuição, o que iria permitir que o produto chegasse ao consumidor em perfeitas condições. “Cada cidadão deve trabalhar no sector que domina para ajudar no crescimento do país”, explicou.

Para minimizar o impacto da Covid-19 na classe empresarial, o responsável adiantou que em Angola a chamada cadeia logística esta a ser feita com o trabalho de armadores, Administração Tributária, Ministério do Comércio e Banco Nacional de Angola, para que o processo de importação seja célere e sem burocracia, para o seu melhor funcionamento.

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