Projecto “corrente da vida” clama por apoio para ajudar seropositivos

No âmbito do desenvolvimento do projecto “corrente da vida”, o secretário executivo da ANASO, Kito Simões, disse que os beneficiários estão a viver uma fase difícil, resultante das limitações de apoio para os medicamentos de doentes com VIH, bem como de cestas básicas para as famílias

Dada as restrições de alguns serviços hospitalares, resultantes da situação de Covid-19, e as necessidades de pessoas que têm VIH e tuberculose, surgiu o projecto “corrente da vida”, que visa garantir, regularmente, os medicamentos para estes doentes, nos próximos três meses, assim como cestas básicas.

Kito Simões disse que para a aquisição das cestas básicas têm registado muitas dificuldades, bem como para os medicamentos para os doentes de VIH e tuberculose. “Há muita fome e temos dificuldades de alimentar as famílias. Mesmo que as pessoas tomem a medicação, devem se alimentar-se adequadamente, tendo em conta que se tomarem a medicação sem a alimentação os efeitos colaterais são graves”.

Outra dificuldade registada no desenvolvimento do programa tem a ver com o equipamento e o matérial de bio-segurança para as equipas de trabalho, designadamente as máscaras e o álcool gel. De um modo geral, não há uniformes adequados para os colaboradores, que permitiria identificar os que estão em serviço.

As famílias também não têm material de limpeza para higienizar as suas casas. Por esta razão, Kito Simões apelou para que haja mais apoios para as pessoas que vivem com VIH e doentes de tuberculose, que neste período devem estar em casa.

Sobre a aquisição de antirretrovirais, a ANASO tem recebido reclamações por parte das pessoas que vivem com VIH, mas junto das instituições há garantias de que existe no país quantidade suficiente e disponível, faltando apenas aprimorar o sistema de distribuição.

A organização também tem encontrado dificuldade no acto da aquisição dos medicamentos junto das unidades sanitárias e outras instituições que têm a missão de os entregar aos doentes.

Considerando que estão no grupo de risco, alguém tem de ir buscar os medicamentos, evitando que se exponham a riscos nas unidades de saúde. Para tal, pode-se deslocar para as instituições parentes ou um activista da organização ou do projecto “corrente da vida”.

Redução da burocracia

Apesar do diálogo entre as instituições, algumas unidades ainda registam dificuldades na interpretação do projecto, mas em outras as coisas melhoraram, sendo que estão a aprimorar o sistema de distribuição da medicação, reduzindo o índice de burocracia que anteriormente tinham.

As equipas já trabalham, sobretudo em zonas com alto índice de contaminação local. A ANASO conta com vários apoios, incluindo de instituições internacionais, “os apoios vão desde a cesta básica, material de bio-segurança para os activistas e os equipamentos, tendo em conta que eles fazem entrega de diversos bens, incluindo a informação e educação”, disse.

De acordo com Kito Simões, a ANASO está para ajudar e garantir que as pessoas tenham os antirretrovirais. Explicou ainda que, as pessoas que têm dificuldade em adquirir os medicamentos devem contactar as organizações não governamentais, junto da sua comunidade, onde serão cadastradas e por intermédio da ANASO, que irá dialogar com as instituições de direito, serão apoiadas.

Sublinhou que a sua organização não pretende ser parte do problema, mas da solução, sendo esta a sua missão e onde o Governo não consegue chegar e não tem resposta, as associações da sociedade civil estão prontas para lá irem e facilitarem o diálogo.

“Nesta fase de quarentena domiciliar obrigatória, há pessoas a beneficiarem de medicamentos em casa, outras, os próprios familiares se deslocam às unidades de referência para os levantar”, reforça. Neste contexto, até ao momento, mais de 400 famílias já receberam cestas básicas, de modo que as pessoas, para além da medicação, tenham apoio alimentar.

O secretário executivo da ANASO chama atenção a sociedade em geral, no sentido de respeitar e cumprir as medidas de segurança, métodos de prevenção, tendo em conta que é a única arma para lutar contra a Covid-19.

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