Meninas do Horizonte Azul pedem inserção no ensino superior público

O centro de acolhimento Horizonte Azul tem mais de 90 meninas residentes, das quais 25 frequentam o ensino superior em instituições privadas. Três delas têm as suas licenciaturas concluídas. Para manter as estudantes, o centro depende da boa vontade de empresas e de pessoas singulares, que oferecem bolsas de estudo, pelo que estas futuras mulheres clamam por inserção nas universidades públicas

O centro Horizonte Azul recebeu, ontem, a visita do músico Matias Damásio e de empresas do grupo Zahara, em parceria com a Fidelidade, que brindaram as meninas aí residentes com brinquedos, presentes, lanche e música, uma actividade que aconteceu em alusão ao Dia Internacional da Criança.

Na ocasião, Ester Bueti, de 22 anos, que vive no centro há 14 anos, aproveitou para revelar que uma das principais dificuldades que o centro enfrenta tem a ver com o enquadramento das meninas no sistema de ensino público do I e II Ciclo e no ensino superior. Todas estudam em instituições privadas, apoiadas por algumas empresas que atribuem com bolsas de estudo.

Quando chegou à instituição, Ester não sabia ler nem escrever, hoje é estudante universitária, e está a fazer o quarto ano do curso de Direito. Actualmente, a jovem afirma que tem feito o seu melhor, como dar aulas de explicação e orientar algumas actividades para o desenvolvimento das outras meninas do centro.

Zulmira Madalena, directora do centro de acolhimento, explica que das 95 meninas que habitam o centro, algumas foram reinseridas no seio familiar, outras já terminaram o ensino superior e a instituição arrendou dois apartamentos, onde residem, mas ainda estão sob as suas responsabilidades.

O Horizonte Azul tem uma escola primária comparticipada, que serve de fonte de algum rendimento, mais, infelizmente, o maior número de alunos que a frequentam são de um centro de refugiados e não têm condições de pagar os mil e 300 Kwanzas cobrados mensalmente. Por isso, contam mais com os apoios externos.

Entretanto, Matias Damásio afirmou que é difícil falar sobre crianças num mundo onde ainda existe escravatura de menores, venda, maus-tratos, falta de escolas, de carteiras. Porém, há uma preocupação das pessoas, dos governos locais e internacionais em melhorar o quadro e proteger, tendo em conta que são inofensivas, elas que precisam de carinho.

À margem do evento, o músico se comprometeu, enquanto artista e cidadão, a instalar uma escola de música no centro de acolhimento e acompanhar pessoalmente o desenvolvimento da escola, em particular uma adolescente que demonstra ter talento para a música.

O gosto pela música que surgiu no centro.

Outra jovem, Fineza Bueti, de 17 anos, que reside no centro de acolhimento Horizonte Azul desde que ficou órfã de pai (há sete anos), é bolseira numa instituição escolar particular. Ela estuda a 12ª classe e explica que foi no centro onde conseguiu descobrir o gosto pela música e, com isso, espalha a alegria e sempre que há alguma actividade na instituição é indicada para brindar os convidados.

A adolescente agradece ao músico Matias Damásio, por estender a sua mão ao centro e em especial a ela. “Muito obrigada por apadrinhar centros de acolhimento e realizar sonhos das crianças. Acredito que todos temos um potencial, mas precisamos de alguém que aposte e acredite, como têm feito Matias Damásio, instituições como o Kero e outras pessoas de boa-fé”, frisou Fineza Bueti.

Para todas as crianças, aconselha que vivam as suas infâncias, aproveitem do melhor que têm e acreditem sempre no melhor que cada um tem. “E a Deus peço que dê ânimo a todas, para realizarem os seus projectos”, disse a adolescente.

De lembrar que actividade foi realizada no âmbito da Missão Kandengue, evento solidário do grupo Zahara em parceria com a Fidelidade. A Missão Kandengue representa todas as iniciativas de responsabilidade social do grupo Zahara e o seu compromisso para a construção de um futuro baseado na sustentabilidade social, ambiental, educacional e cultural do país. Actualmente apoia cerca de duas mil crianças de 11 centros de acolhimento no país.

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