“O turismo pode ser alternativo às pescas no Tombwa”

“O turismo pode ser alternativo às pescas no Tombwa”

O município do Tombwa é muito referenciado pela actividade pesqueira, diga-nos como está o sector nos últimos meses?

O sector pesqueiro está a viver um período crítico. Cada ano que passa verifica-se a redução da captura de pescado. Este ano, o maior grupo empresarial, que resulta da parceira entre angolanos e sul-africanos, dispensou cerca de mil trabalhadores. Em 2018, o nível de captura situou-se em 48 mil toneladas de pescado, ao passo que no ano transacto registou -se 16 mil toneladas. Estamos a falar de um terço da produção anterior. No presente ano prevê-se a captura de 9 mil toneladas de pescado.

A que se deve essa redução de capturas de pescado?

Os especialistas apontam uma série de factores, como é o caso da situação climática, a diminuição da biomassa que se regista há algum tempo, por causa da captura de pescado não sustentada. Estou a falar do arrasto desregrado de espécies em crescimento em alto mar e na costa. Temos de encontrar soluções. É neste sentido que a Administração Municipal pretende promover o turismo. O Tombwa é um município com grandes potencialidades turísticas ao nível do país.

Que medidas estão a ser tomadas para mudar o quadro?

O Ministério das Pescas tem ajudado com a proibição de produção de farinha e óleo de peixe. O carapau, a sardinha e a cavala são as espécies mais consumidas. Suspendeu a importação de novas embarcações, o que faz com que tenhamos menos pesca prejudicial. Há uma nova política na atribuição de licenças que concordamos com ela. É preciso redefinir a capacidade interna. Estes factores podem permitir que a biomassa continue a crescer e contribua para o consumo das populações.

Quantas empresas ligadas ao sector pesqueiro existem no Tombwa?

Temos 12 empresas ligadas ao sector a funcionar. Mas, não têm produzido de acordo com a capacidade instalada. Esta situação está a provocar instabilidade social, pelo facto de as famílias terem menos recursos.

Qual é a percentagem de empregabilidade do sector das pescas?

É o sector que mais emprega no município, com mais de 40 por cento. Temos a função pública que também emprega muita gente.

Qual é a influência do referido sector para o crescimento do município?

A cidade do Tombwa surgiu por causa do peixe. Segundo factos históricos, a primeira passagem pelo município aconteceu com a visita de Diogo Cão, em 1485, a 12 quilómetros à Norte da cidade. Tudo quanto sabemos é que a primeira actividade que encontrou foi a agricultura. Mas com o tempo notou-se que existia uma baía interessante.

Quantas salinas estão a funcionar?

Temos duas salinas que funcionam com dificuldades, uma delas tem dificuldades técnicas. Os empresários encontram alguma esperança no Programa de Alívio Económico lançado pelo Executivo.

Dunas, a atracção turística do Tombwa.

As dunas têm atraído turistas? Quais são as nacionalidades?

Sim. Temos recebido muitos turistas. Nesta época não é possível, por causa da questão da pandemia do novo Coronavírus. Porém, em situações normais recebemos sulafricanos, namibianos, e cidadãos de outras nacionalidades.

Acredita que o turismo poderá ser a alternativa às pescas que estão em baixa?

Sim, acreditamos que o turismo é o sector alternativo ao das pescas. Sobre isso não há dúvidas. O município possui o maior deserto natural do mundo, diversas praias virgens de mais de 200 quilómetros. No ano passado recebemos as visitas do músico Gabriel o Pensador, e de Sérgio Cosmo, este último que é o guia de um surfista que fez a onda de 27 metros denominada a “Onda de Nazaré”. Muitos surfistas internacionais vêm à procura das ondas aqui nas praias do Tombwa. Portanto, temos condições atractivas para a promoção do turismo.

Por outro lado, no início do ano realizou-se a primeira edição do “Raly Raid Dunas”. A novela brasileira “Terra Prometida” gravou grande parte das cenas no município do Curoca.

Há três anos, o município realiza o Campeonato Nacional de Costa, que traz os campeões nacionais de pesca em alto mar. Infelizmente, este ano não foi possível.

Há serviços de apoio ao turismo? Refiro-me a restaurantes, hotéis e guias…

Não há serviços de apoio. O município do Tombwa não tem nenhuma infra-estrutura hoteleira que possa acolher as necessidades de alojamento. Existem poucos serviços de restauração. No entanto, estamos a trabalhar para elaborar o plano director do turismo. Temos convidado investidores para investir na área turística.

Quais são os incentivos para quem pretende investir no sector?

É necessário manifestar o interesse. Existe uma sintonia entre a Administração Municipal e o Governo. Lembro-me que a antiga ministra do Turismo, Ângela Bragança, tinha dito que “a província do Namibe é a pérola do turismo em Angola”. Penso que todos os operadores interessados teriam a facilidade de implementar este negócio.

Como está o sector da agricultura?

Há muita produção de tomate e a cebola o ano todo. Diariamente verificamos camiões a transportarem o produto para outras províncias. No ano passado foram colhidas 600 toneladas de tomate e 400 toneladas de cebola. Foram atribuídas mais extensões de terra para cultivo a 30 cidadãos que pretendem investir no sector. Não era prática a actividade agrícola no município, mas há interesse em investir no sector. E temos muitos pedidos ao nível da banca para o fomento da agricultura. Espera- se atingir perto de 300 hectares e podemos duplicar a produção do ano anterior.

A energia é um sector fundamental para o desenvolvimento. Como está o fornecimento?

Estamos com dificuldades no sector energético. Entretanto, esta semana recebemos a visita do director regional da Prodel. O ministério definiu o município de Tombwa como prioridade para aumentar a capacidade de produção de energia eléctrica. Temos uma capacidade de 14.2 megawats, mas contamos com cinco que são insuficientes para abastecer a cidade.

Há algum projecto para reposição do gado?

É necessário garantir o fornecimento de água e pasto para manter a criação de gado. Nos próximos anos, o município irá beneficiar de uma barragem, numa zona estratégia de transumância do gado, localizada ao longo do rio Curoca, propriamente. É um projecto de âmbito nacional e aguardamos pela sua implementação. Nesta altura, as populações beneficiam de nove sistemas de água, que contém um furo ou bebedor e que minimizam a carência.

O abastecimento de água continua a ser um problema?

Temos o abastecimento de 170 (cúbicos e não cubitos) de água dia que satisfaz a população. Todavia, neste momento registamos avaria de uma das bombas e pensamos resolver rapidamente.

Qual é a situação actual dos empresários, tendo em conta o coronavírus?

Temos a situação controlada. As empresas produtivas fizeram uma gestão dos recursos humanos consoante as medidas que foram definidas pelo Executivo. A produção continua porque o país precisa de alimentos.