A indústria cultural como base para a projecção da “Nova Angola”

A indústria cultural como base para a projecção da “Nova Angola”

A tónica do principal produto sobre Angola que é vendido actualmente no interior e no exterior está assaz confinada na intensão política de optimizar a actividade empresarial para fomentar o empresariado nacional e atrair o investimento estrangeiro para cá, como se este propósito fosse ocorrer a curto prazo.

No entanto, importa recordar que a interferência política na economia do país, no tempo “da outra senhora”, foi tão profunda de sorte que se tornou praticamente um paradigma. Por essa razão, entendemos que a consciencialização política, bem como as implicações que advêm deste todo imbróglio face a realidade que se quer nova, deverá respeitar o seu processo natural.

Por esse motivo, o Executivo  deveria encontrar um produto concreto e imaculado para substituir esta perspectiva. A aposta na criação de uma indústria cultural em que o turismo e a cultura fossem os temas chave do guião, parece maravilhosa, na medida em que o retorno simbólico e financeiro a médio e a longo prazo é irreversível.

A reputação de um país é o seu maior activo. E países como EUA, Japão, Coreia do Sul, Rússia, China, Turquia, Nigéria, Portugal,Brasil, etc. têm presente a imprescindibilidade deste sector na construção e preservação de suas reputações; como também na criação de um sentimento patriótico forte, por causa da magia que a indústria cultural tem de canalizar o poder da identidade nas pessoas por meio de produtos mediáticos relacionados com as suas línguas, linguagens, as suas vivências históricas e quotidianas.

Em 2005 o governo brasileiro, por meio dos ministérios do Turismo e do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior, lançou a “Marca Brasil” com o slogan “Brasil sensacional”. Entre as ideias que nortearam a respectiva estratégia destacam-se a divulgação internacional da diversidade cultural, gastronómica, histórica, modernidade, praias, ecoturismo e negócios. O objectivo único foi o de posicionar aquele país do Samba, como uma nação colorida e moderna”.

Um dos maiores ganhos dos brasileiros foi o sucesso dos programas sociais. Fizeram daquele país um marco na história mundial, gerou publicidade espontânea, aumentou a reputação das lideranças da época, tornando o seu povo um embaixador da “Marca  Brasil” pelo mundo.

Aos exemplos junta-se o caso sul coreano referido por Gustavo Cardoso (et al, 2009): em 1991, o governo da Coreia do Sul custeara  a criação de um sistema de apoio à
produção cinematográfica em três dimensões: distribuição, produção e formação. O povo sul-coreano adorava filmes americanos e o seu governo enviou jovens promissores para escolas inglesas a americanas de realização, escrita e formação de actores. A ideia era produzir filmes coreanos baseados no mesmo modelo. Em 1999, nove dos vinte filmes mais vistos na naquele país eram nacionais.

Hoje em dia a Coreia do Sul tem mais exibição de filmes nacionais do que estrangeiros, e exporta-os.

Apesar das diferentes nuances, existem três narrativas predominantes na indústria cultural envolvendo múltiplas combinações entre o cinema, ficção televisiva e vídeo-jogos. “Cada segmento combina uma série de competências e de necessidades técnicas e tecnológicas que permite depois sustentar um outro conjunto de entidades e de produtos culturais muito diversificados”. Por essa razão, muitos países optam por um único segmento.

Os EUA e a Nigéria, por exemplo, preferem o cinema. O Japão optou pelos jogos de computadores, o Brasil pela ficção televisiva, ao passo que a Índia por um misto de cinema e jogos (2009) e assim por diante.

A falta de informações sobre Angola no seio da opinião pública internacional e a necessidade que o Executivo tem de ocupar o espaço mediático global com dados e informações credíveis sobre o nosso país, não pode dar espaço para amadorismo, ainda que seja a pretexto da promoção da criatividade do nosso povo.

É preciso explicar que a concorrência mundial entre as empresas, ditada pela globalização das economias e celeridade das mudanças tecnológicas, obrigou a que os países aprendessem a competir entre si. A concorrência global saiu assim da tradicional esfera empresarial e passou para a esfera dos países, concorrendo entre si.

Os países deixaram de projectar apenas a sua esfera de influência política e prestígio. Passaram a competir em ofertas quantificáveis como: investimento directo estrangeiro, turismo, exportações, cultura, história, valores e personalidade própria com objectivos económicos e políticos.

Assim como as pessoas, todos países têm seus problemas. A diferença é que muito deles sabem comunicar as suas vantagens estrategicamente em detrimento dos seus problemas internos.

Wilsony dos Santos e Amadeu Cassinda