Angola procura alívio da dívida do G20 em meio ao “avanço” das negociações da dívida com importadores de petróleo

Angola pediu o alívio da dívida do G20 e está num estágio avançado de negociações com alguns países importadores do seu petróleo para ajustar as facilidades de financiamento, mas espera que não seja necessária nenhuma revisão adicional além disso, disse o Ministério das Finanças, na Terça-feira, citado pela agência noticiosa Reuters

Terceira maior economia da África Subsaariana, Angola depende muito das receitas do petróleo e está sobrecarregada com dívidas que excedem a sua capacidade económica, ao mesmo tempo que trava um combate contra as consequências da pandemia de coronavírus na sua economia, e ainda um choque no preço do petróleo que caiu abaixo de USD 20 por barril em Abril.

As negociações com os importadores de petróleo sobre a recriação de perfis estão em “estágios avançados” e as negociações devem terminar num futuro muito próximo, disse o ministério em comunicado, sem dar mais detalhes.

A recriação de perfil envolve, geralmente, uma extensão de maturidades, embora muitas vezes sem tentar reduzir o principal.

“Em consulta com o FMI, o Ministério das Finanças decidiu valer-se do mecanismo do G20/DSSI e candidatou-se junto dos seus pares soberanos para negociar a paralisação do serviço da dívida em empréstimos directos oficiais de governo a governo”, acrescenta o comunicado, citado pela Reuters.

Angola, que retira um terço da sua receita da venda do petróleo, estava numa posição frágil antes mesmo da pandemia, com a sua relação dívida/PIB a superar os 100%. O serviço da dívida consome anualmente USD 9 biliões.

Angola recebeu um empréstimo de USD 3,7 biliões do Fundo Monetário Internacional no ano passado, devendo igualmente biliões de dólares à China.

Analistas assinalaram que uma recente recuperação nos preços do petróleo proporcionou algum alívio.

“Qualquer alívio na redefinição de perfil que o país possa obter dos seus credores bilaterais, principalmente a China, seria outro forte positivo”, disse Simon Quijano-Evans, da Gemcorp Capital LLP.

“Isso, por sua vez, deve ajudar a garantir financiamento adicional do FMI, se Angola o solicitar, e acalmar ainda mais o cenário do mercado de títulos, especialmente porque o próximo pagamento principal do Eurobond acontece somente em 2025”.

O Ministério das Finanças disse que não vê necessidade de “novas negociações de perfis com os credores além daqueles que já estão em andamento”.

Os eurobonds de Angola, negociados pela última vez em torno dos 65 cêntimos na marca do dólar na curva, pouco mudaram no dia.

Os títulos caíram de mais de 100 cêntimos de dólar no início de Março para 30 cêntimos no início de Abril.

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