Uma pequena diferença

Uma pequena diferença

Há protestos nos Estados Unidos da América por um país mais justo, contra o racismo. Protestos indignados com a forma como foi assassinado Geroge Floyd, um africanoamericano, por um polícia, aos olhos do mundo, por via de telemóveis que filmavam a cena e davam a ouvir a agonia do homem num “não consigo respirar” que do agente da lei recebeu a mais pura indiferença. É revoltante. E a revolta alastra-se pelo mundo.

Os protestos não são apenas de cidadãos norte-americanos, são da humanidade.

O racismo é endémico nos Estados Unidos, mortes como a de Floyd fazem uma lista demasiado longa. Jovens americanos saem à rua e gritam a sua indignação.

Jovens de todo o mundo manifestam solidariedade aos que protestam nas cidades americanas. O desfile de mortes de africanos-americanos indefesos pela Polícia é um espectáculo para o qual não pode mais haver tolerância.

Mas mortes de cidadãos indefesos por agentes das forças de segurança não são um exclusivo norte-americano, temo-las em África, no mundo, em Angola. Manifestações também.

A diferença está na maturidade das instituições e da sociedade, está em perceber que há gritos que têm mesmo de ser gritados, soltos com raiva, com lágrimas, por justiça.

A diferença é que por cá, um grito assim, é entendido coberto de conspiração anti- Estado, o que permite ao Estado “defender-se”. Não. São pelo Estado, pelo direito, pela justiça. Ainda que derrubem governos. As instituições devem ter suficiente espaço para estas possibilidades também, até para impedirem que abusos aconteçam. É esta a diferença.