Covid-19 preocupa Kiela do Sambizanga quanto à participação no Entrudo em 2021

Covid-19 preocupa Kiela do Sambizanga quanto à participação no Entrudo em 2021

O grupo que na edição passada, 42ª edição, desfilou com cerca de dois mil foliões, a contar com a falange de apoio, onde obteve a 6ª posição, tem começado com os ensaios entre Setembro e Outubro, mas teme que até lá não seja possível, por aglomerar um grande número de pessoas, que considera desaconselhável no momento.

“Os ensaios nesta altura vão ser complicados. Nós fizemos num campo devido ao grande número de pessoas, cerca de duas mil.

Como sabemos, devemos evitar as aglomerações, para impedir a propagação da doença. Se o número de doentes continuar a crescer, tememos a não realização do Entrudo no próximo ano”, disse Maravilha em conversa com OPAÍS.

Apoios

A comandante do grupo com cerca de três troféus, tendo o último sido conquistado em 2009, na 31ª edição, disse ainda estar preocupada com a questão dos apoios por parte das empresas, devido à pouca rentabilidade que se observa agora, em consequência da pandemia.

Realçou que os contactos para o efeito, sejam mantidos no princípio do ano, mas devido à presente situação estão a ponderar, por reconhecerem as dificuldades que atravessam agora.

Disse ainda que a classificação do agrupamento na edição passada, afectou negativamente a estima dos integrantes, que muito trabalharam para estar nos lugares cimeiros da competição carnavalesca. “Nós dependemos dos patrocínios e sem eles não conseguimos trabalhar, até porque o valor que recebemos da Associação Provincial do Carnaval de Luanda, APROCAL, não cobre os custos.

Os grupos começam a trabalhar com aquilo que ganham no desfile competitivo. Mas, como este ano não tivemos uma boa classificação, ficou mais difícil, porque, inclusive, temos dívidas, conforme acontece com outros grupos”, lamentou.

Preocupada, aguarda pelo pronunciamento do Ministério da Tutela, que vai comunicar sobre o processo em causa. “O sentimento agora é de tristeza. É algo de que estamos a costumados a fazer, nunca tivemos interrupção, mas, se as coisas não melhorarem, será complicado a sua realização, porque estará em causa um bem maior, que é a vida. Se tudo melhorar, vamos aproveitar os próximos meses para trabalhar”, perspectivou.

De salientar que o grupo ocupou a 6ª posição, tendo levado à Nova Marginal a canção “Combatamos a corrupção“, interpretada por Patrícia Faria, com uma mensagem de apelo para a união de forças na moralização da sociedade.

APROCAL

O presidente da APROCAL, António Oliveira “Delon”, garantiu que estão a trabalhar nos preparativos para a próxima edição do Entrudo, apesar da presente doença, que se observa como uma situação pontual.

“Tão logo termina uma edição começa-se logo a preparação da outra. Neste momento estamos a trabalhar na concepção daquilo que será o carnaval em 2021. Além disso, a doença está controlada e acreditamos que até ao final do ano as coisas terão outro desfecho”, augurou Delon referiu que a fase derradeira dos ensaios, em que as pessoas têm engajamento directo dos ensaios, ser constatada a partir de Novembro. Por isso, acredita que até lá as coisas estarão controladas e concederão mais informações sobre o evento.

Explicou que, quando forem autorizadas as aglomerações de 2 ou 3 mil pessoas, na altura em que os jogos começarão a ser realizados com a presença do público, bem como os grandes espectáculos culturais, crê que o carnaval constará dos projectos.

“Essa é uma situação em que o Estado está empenhado e que fará tudo sobre aquilo que são os convénios internacionais, no sentido de controlar a doença. Por isso, não podemos ser surpreendidos. Estamos a trabalhar e no sentido da sua realização e tão logo que possamos realizar encontro de grande vulto, vamos fazer aquilo que é o nosso propósito”, finalizou.