Anúncio de congresso na FNLA reacende brigas entre militantes

Para Ndonda Nzinga, membro do Comitê Central, o congresso deverá acontecer em Setembro deste ano e servirá de instrumento de inclusão e reencontro de todas as alas do partido. Já o presidente da organização, Lucas Ngonda, considerou a ala organizadora do conclave como sendo de aventureiros sem legitimidade

Uma das alas desavindas com a actual direção da FNLA anunciou a realização de um congresso extraordinário e inclusivo do partido para o mês de Setembro deste ano. O anúncio do congresso extraordinário foi tornado público ontem, em Luanda, pelos membros do Comitê Central da FNLA Ndonda Nzinga e Pedro Gomes.  

Segundo Ndonda Nzinga, face ao desconfinamento social, em função do actual período de estado de calamidade que o país observa, o congresso deverá acontecer efectivamente em Setembro deste ano e servirá como um instrumento de inclusão e reencontro de todas as alas do partido que há anos vivem de costas viradas.  

De acordo com o político, pretende-se, com o conclave, estabelecer um segmento de unificação e unidade do partido para não deixar morrer a organização fundada pelo nacionalista Holden Roberto. 

Ndonda Nzinga considerou a FNLA como sendo um património político nacional que não pode morrer por “mero capricho” do actual presidente, Lucas Ngonda, a quem acusam de destruir o partido em benefício próprio.  

“Só estamos à espera do levantamento do estado de calamidade para avançarmos com a realização do congresso em Setembro. E, inclusive, convidamos o próprio presidente Lucas Ngonda a fazer parte do encontro”, frisou.  

Por seu lado, Pedro Gomes disse que a actual direção do partido está “caduca” e o congresso de Setembro vai implementar outra dinâmica na organização, que precisa, o mais breve possível, de se “livrar das garras” de Lucas Ngonda 

Conforme explicou, o mandato do actual presidente venceu em Fevereiro do ano passado. Porém, de lá para cá, Pedro Gomes disse que Lucas Ngonda já não tem legitimidade para estar no comando da organização.  

“Ele, Lucas Ngonda, é o principal factor de instabilidade no partido. Já não deve estar aí. Deve sair”, notou.  

 “Uns aventureiros” 

Pos seu lado, Lucas Ngonda, presidente do partido, acusou Pedro Gomes e pares de serem “aventureiros” que tentam atingir o pódio da presidência sem passarem pelas normas e processos legais que conduzem a esse desiderato.  

Segundo o político, Pedro Gomes já participou em duas eleições, tendo sido derrotado, o que forçou que criasse grupos paralelos que vêm trabalhando de modo a desestabilizar a organização.  

“Quem trouxe a reunificação do partido fui eu. Mandei chamar todos. Mas o senhor Pedro Gomes sempre envia delegações. Nunca esteve interessado na unificação, porque autointitula-se como presidente. É um aventureiro que anda por aí”, deplorou. 

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