Cannes anuncia programação (mesmo sem festival…)

Cannes anuncia programação (mesmo sem festival…)

Cancelada a edição de 2020 do Festival de Cannes, o certame não desistiu de fazer o seu trabalho de escolha de filmes. E agora, o seu delegado geral, Thierry Frémaux, deu a conhecer os títulos de um festival que… não vai acontecer.

De acordo com a tradição, a apresentação da selecção oficial decorreu no UGC Normandie, sala de cinema de Paris, desta vez sem jornalistas na plateia. Frémaux estava acompanhado por Pierre Lescure, presidente do festival, ontem mesmo reconduzido no seu cargo para cumprir um terceiro mandato de três anos.

O menos que se pode dizer é que a 73ª edição do maior festival de cinema do mundo não deixaria os seus créditos por mãos alheias. Desde logo, porque a selecção inclui um leque de “habitués” em que podemos encontrar os trabalhos mais recentes de autores como o americano Wers Anderson, o francês François Ozon, o inglês Steve McQueen, o dinamarquês Thomas Vinterberg ou o espanhol Fernando Trueba, sem esquecer a presença também regular da animação dos estúdios Pixar.

Aposta que também se renova (e amplia) é a da escolha de títulos de realizadores estreiantes, sector onde podemos encontrar dois actores bem conhecidos: o americano Viggo Mortensen e o francês Laurent Lafitte. Em qualquer caso, Frémaux optou por destacar o nome de Lafitte num outro domínio, desta vez especialmente valorizado pelo festival: o das comédias.

A selecção oficial inclui 56 filmesescolhidos de um total de 2067 longas-metragens apresentadas ao certame, provenientes de 147 países – são números recorde, o primeiro ultrapassando pela primeira vez os dois milhares, o segundo traduzindo um crescimento de 6,5% em relação a 2019.

Em alta muito significativa está também a quantidade de primeiras obras: nada mais nada menos que 909, das quais 15 integram a selecção oficial. Isto sem esquecer que, naturalmente, o festival continua a manifestar o seu apoio ao conhecimento e divulgação da produção francesa.

Há mesmo um reforço desse apoio, com a inclusão de 21 títulos na selecção oficial (mais oito do que em 2019). Como Frémaux fez questão de sublinhar num texto global de apresentação (divulgado ontem no site do festival), tratou-se de expressar, “mais do que nunca”, a solidariedade do festival com a produção e o mercado de França.

Fonte: Diário de Notícias