Doença de pobre

Doença de pobre

Angola não é assim tão a mesma, tão única como algumas pessoas gostam de nos fazer crer. Não. Angola é diversa o suficiente para se pensar nela de formas diferentes. E não apenas antropológica ou culturalmente falando.

Estamos no Cacimbo e voltam a surgir números assustadores da tuberculose nas regiões altas e do Sul. Quase setecentos casos de tuberculose diagnosticados só no Bié são para levar as mãos à cabeça, porque são números do primeiro trimestre do ano. Esperemos até Setembro, esperemos para somar os do Huambo, Huíla, Namibe, Cuando Cubango, Malange e Cunene. E também de Benguela. Não há Covid-19 que lhe chegue aos pés. E a tuberculose, não se sonhe duvidar, mata mesmo. Está a matar e vai matar. Mas é uma doença pobre, não tem os holofotes da pandemia. Também nem dá dinheiro, nem pesa nas relações internacionais…

Há que pensar o país de forma distinta, na roupa, nos alimentos, nos automóveis, na arquitectura. Não se pode construir no Bié as casas de Luanda ou de Cabinda. É um absurdo. O mesmo se tem feito na construção de escolas, sem aquecimento (estou a pedir demasiado), usando os mesmos materiais. É até criminoso manter nelas crianças por horas.

Para o Huambo, Bié e Huíla há que usar botas, samarras, sobretudos (kikuto), há que servir bebidas quentes. O chá e o chocolate quente devem ser reintroduzidos. Os pisos das casas devem ser em madeira, o alicerce deve ser alto… Ok., sei, estou a sonhar. Daqui a um mês seria bom termos uma comparação dos efeitos da tuberculose (que nunca suspendeu as aulas) com os da rica Covid-19.