Carta do leitor: O clamor dos empresários

Carta do leitor: O clamor dos empresários

Por: Manuel Solange
Luanda

Dentro de três dias, o Governo deverá anunciar aos angolanos a medida que será tomada depois de se ter declarada a situação de calamidade, uma novidade no ordenamento jurídico angolano.

Infelizmente, o anúncio será feito numa altura em que aumentam os casos de COVID 19 no país e o medo continua instalado no seio de alguma população, embora outras continuam a descurar os cuidados necessários para se evitar a proliferação desta pandemia.

Se existe incerteza quanto à doença, o mesmo não se pode dizer em relação à vida dos angolanos. A situação continua precária, não se antevendo melhorias rápidas. Esta situação faz com que o Executivo tenha que tomar medidas urgentes e rápidas para se revitalizar sobretudo o tecido empresarial, sobretudo as pequenas e grandes empresas.

O desabafo lançado pelos pequenos empresários deve servir de alerta para que o Executivo saia dos discursos bonitos e vá ao encontro das empresas e dos empresários.

Quem olha para algumas medidas dá a impressão de que apenas os grandes empresários, muitos deles com fortes contributos nos impostos, são as únicas soluções para os males que enfermam a nossa economia. Mas eu penso o contrário.

Aliás, todas as informações que nos surgem da Europa e até da América, sobretudo aqueles que já começaram a retomar a economia, dá para ver que são os pequenos e médios empresários que começam a dar um grande impulso para que as estatísticas apresentem um outro indicador a breve trecho.

Com uma parte da população desempregada, entre licenciados e ainda jovens estudantes, seria nas pequenas e médias empresas o escape para o sustento não só das famílias como também dos próprios estudos. E a consumar-se os receios que estes empresários avançam, o resultado será o aumento do exército de desemprego e as repercussões que já se adivinham. Não nos espantemos se posteriormente a rua não seja também o papel para se reivindicar a ausência de um posto de trabalho.