Ainda a pobreza

Ainda a pobreza

Vivo num país que instituiu, com força de lei, o distanciamento físico, mas não providenciou, por exemplos, transportes públicos para que fosse possível o dito distanciamento.

Há novidades surgidas também com a declaração da Covid-19 como pandemia pela OMS. De repente montam-se hospitais de campanha, etc. A expressão bio-segurança passou a viver connosco, os gastos públicos com a área da Saúde aumentaram, claramente, até se multiplicaram os ventiladores, veja-se.

São passos dados pelo Executivo, que em vez de os propagandear, tratando-se do mesmo partido a governar há quarenta e tal anos, deveria também penitenciar-se. Pronto, também não se pode bater em quem quer mostrar trabalho e faz por isso. Ou tenta.

De facto, por aquilo que foi visto pelo mundo, pode-se dizer que a Covid-19 não tem uma expressão alarmante em Angola. Toda a gente desconfia dos números comunicados oficialmente, mas também ninguém mostra evidências contrárias.

Então, isto pode ser fruto do trabalho do Governo? Pode, também, já que a “escassez” de casos é verificada em toda a África. Se calhar todos os governos seguiram o mesmo padrão de actuação.

Não há capacidade de testagem em larga escala, a isto o Governo respondeu com a testagem dirigida, com cercas sanitárias pontuais e com uma dose cavalar de informação. Há ainda a felicidade de o povo ter aderido ao uso da máscara. É tudo o que está ao seu alcance fazer, porque ficar em casa, “mas assim, oh mano, o Governo está a dar o tal sabão?”. Esta é a realidade chocante: a pobreza.

A pobreza derrota qualquer orientação para o distanciamento físico e confinamento. Então, como a pandemia ainda não acabou e nem vaio acabar por decreto do Estado angolano, convém atacar a pobreza com toda a inteligência, será mais eficaz do que trinta mil hospitais de campanha.