Academia de Letras quer resgate das línguas bantu

Academia de Letras quer resgate das línguas bantu

Em declarações à imprensa, à margem da tomada de posse dos órgãos sociais da AAL, Paulo de Carvalho considerou ambicioso o seu programa para o quadriénio (2020-2023), com o foco na reactivação da Academia e resgate das línguas bantu.

Entende que a juventude precisa tomar conhecimento da história das letras angolanas, notando que AAL está em melhores condições de passar este conhecimento.

Paulo de Carvalho foi eleito com 94 por cento dos votos para um mandato que vai até 2023, em substituição do escritor Boaventura Silva Cardoso que estava em funções desde 2016.

O académico Filipe Zau assume a vice-presidência, enquanto o escritor Artur Pestana “Pepetela” mantém-se no comando da mesa de Assembleia Geral.

Acordo Ortográfico

Uma das decisões desde a proclamação da Academia Angolana de Letras, em 2017, foi a realização de uma Mesa Redonda sobre o Acordo Ortográfico de 1990, a qual mostrou-se desfavorável à ratificação do acordo (AO90) por parte do Estado angolano.

Naquela ocasião, a AAL baseou a sua fundamentação assentes em seis pontos, justificando a sua posição. A Academia defendia que num acordo ortográfico que vigore no país deve ser considerada a importância das Línguas Nacionais como factor de identidade nacional, como a necessidade de coexistência entre todas elas.

A academia considera que a escrita de vocábulos, cujos étimos provenham de línguas Bantu, se faça em conformidade com as normas da ortografia dessas línguas, mesmo quando o texto está escrito em língua portuguesa.

A Academia

A Academia Angolana de Letras considera a necessidade de o acordo ortográfico ser objecto de uma ampla discussão com concurso de todos os estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em concertação com as instituições de formação, de investigação e de promoção literária da língua portuguesa.

A Academia Academia A Academia Angolana de Letras (AAL) tem como foco questões relacionadas com o estudo e a investigação da literatura angolana, da língua portuguesa, das línguas angolanas, assim como a relação entre elas.

Com o seu estatuto editado no Diário da República n.º57 III Série de 28 de Março de 2016, a associação privada sem fins lucrativos, de carácter cultural e científico, teve como outorgantes constituintes os escritores angolanos Henrique Lopes Guerra, António Botelho de Vasconcelos e Boaventura da Silva Cardoso.

A academia tem como patrono o primeiro Presidente da República de Angola, Agostinho Neto, e admite como membros os fundadores, efectivos e beneméritos, para além de colaboradores com a categoria de correspondentes, estes últimos podendo ter nacionalidade diferente que as dos restantes membros.