Angola com 14 recuperados em 24horas, mas permanece em alto perigo da Covid-19

Angola com 14 recuperados em 24horas, mas permanece em alto perigo da Covid-19

“Por esta altura, ainda estamos em alto risco” afirmou Sílvia Lutukuta, sublinhando que Angola ainda não está livre do impacto da Covid-19, apesar dos investimentos do Governo para combater e prevenir a sua propagação e de registar baixo nível de contaminação.

Salientou que os angolanos devem, assim, ter orgulho do grau de preparação para o efeito, mas continuar a ser rigorosos no cumprimento das medidas de bio-segurança.

“Nós estamos próximos da transmissão comunitária porque temos transmissão local. Porém, podemos estar distantes da transmissão comunitária se nós adoptamos os comportamentos adequados para evitar o contágio com muita facilidade”, frisou.

Assim sendo, disse que o país ainda observa cercas sanitárias de alto risco e continua a fazer uma investigação profunda em relação aos casos de contaminação que surgiram de alta complexidade, como na Clínica Multiperfil e na cerca do Cazenga, entre outras.

Sílvia Lutukuta esclareceu que ninguém quer que a Covid-19 chegue a uma dimensão alarmante e com falta de condições, como a que se está a observar a nível mundial e nas maiores potências.

Para aclarar a importância das medidas de precaução colectiva, recordou que há muitos países em que o sistema de saúde colapsou e os pacientes foram internadas em parques de estacionamento e alguns ficavam sem assistência mesmo estando em situações críticas e outros morriam em casa e só eram descobertos passados alguns dias.

“É importante que ninguém subestime a importância da Covid- 19, em qualquer lugar. Acreditamos que o povo angolano é um povo sensível, que gosta das suas famílias. Ninguém quer imaginar aqui a perder o pai, mãe, irmãos, toda a gente em casa”, frisou.

A ministra da Saúde fez saber que a qualquer momento pode haver uma onda muita rápida de propagação do vírus no seio da nossa população. Por esta razão, estão a ser criadas unidades hospitalares de campanha para dar resposta adequada a eventuais situações do género.

Governo gasta cerca de 980 mil de dólares só em testes

Sobre os custos elevados do tratamento da doença, Sílvia Lutukuta esclareceu que um teste para Covid-19 não custa menos de 80 dólares. Entretanto, contas feitas pelo Jornal OPAÍS, multiplicando este valor pelos 12.155 exames realizados até a presente data, vê-se que o Governo já gastou 972.400 dólares norte-americanos só com a feitura dos testes.

Fora os custos adicionais que a governante salientou serem elementos fundamentais para a testagem, como a água, energia eléctrica, o computador para passar a análise, o técnico, entre outros.

Questionada sobre uma eventual disparidade do preço cobrado nas clínicas privadas, a governante esclareceu que se aproxima ao do sector público. “Só quando o sector privado cobra é que as pessoas percebem, na realidade, o esforço que o Governo angolano está a fazer. Portanto, não há muita diferença deste valor com o valor do privado”, garantiu.

Jovem proveniente da Rússia testa positivo de Covid-19

Nas últimas 24 horas, o país registou mais um novo caso de Covid- 19, perfazendo 92 casos confirmados, resultando em quatro óbitos, 38 recuperados e 50 casos activos. Entre estes, um requer atenção especial e os restantes estão clinicamente estáveis em unidades sanitárias de referência.

“Cumpre-nos informar que temos mais um caso positivo importado, de um cidadão angolano de 22 anos de idade, do sexo masculino, proveniente da Rússia. Por esta altura assintomático e já foi encaminhado para um dos nossos centros de tratamento”, garantiu a governante.

Sílvia Lutukuta esclareceu que o vínculo epidemiológico do país aponta para o registo de 30 casos importados e 62 de contaminação local.

Em relação aos testes, fez saber que por via do Instituto de Investigação em Ciências de Saúde receberam 12.155 amostras, das quais 92 positivas, 11.719 negativas e 344 em processamento.

Contou, por outro lado, que foram liberadas no período em referência 227 pessoas que observavam a quarentena institucional, sendo 188 em província de Luanda, 21 no Moxico, 12 no Bié, três no Huambo, duais na Huíla e uma na Luanda-Norte. Neste momento, permanecem 785 pessoas em quarentena institucional em todo o território nacional e o número dos contactos sob vigilância é de 1.160 pessoas, das quais 457 são casos suspeitos em investigação.

Realçou que continuam as acções de formação e sensibilização.

O Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) recebeu 43 chamadas, sendo um alerta de caso suspeito de Covid-19, duas denúncias e 40 pedidos de informação sobre o vírus.

“Continuamos em estado de calamidade, pelo que devemos continuar a observar as medidas de protecção individual e colectiva porque continua a ser muito importante cortamos a cadeia de transmissão. Continua a cerca sanitária nacional e a cerca sanitária de Luanda”, disse.

Profissionais da saúde proibidos de trabalhar em mais de uma unidade sanitária

A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, informou que os profissionais de saúde estão a ser impedidos de trabalhar em mais de uma unidade hospitalar, como medida preventiva contra a Covid-19, uma vez que o seu risco de contágio é maior, devido à pressão grande que passam.

“Nós arranjamos aqui uma forma de equilíbrio em que ele ao prestar serviço no sector privado fica no privado. O mesmo acontece com o público, tendo em conta o alto risco que temos com estes profissionais que estão a trabalhar em vários locais e que podem ser potenciais transmissores da doença, que tem uma propagação muito fácil e rápida”, explicou.

Cerca sanitária do Hoji ya Henda é de alto risco

Sílvia Lutukuta esclareceu que a cerca sanitária do bairro Hoji ya Henda, município do Cazenga, em Luanda, é de alto risco e, por isso, foi estabelecida a 11 de Maio. Mesmo antes de a ter sido estalecida, já havia a previsão de que a mesma seria demorada. “É mesmo uma cerca de alto risco.

Nós já tivemos vários casos positivos de contaminação local que saíram da cerca do Hoji ya Henda. Já foi feito um trabalho profundo em termos de testagem”, frisou.

Acrescentou de seguida que “do Hoji ya Henda nós temos mais de três mil amostras e já temos resultado de metade, mas só poderão ter alta todos juntos”, explicou.

Por outro lado, a ministra garantiu que ainda esta semana serão conhecidos os resultados de todos e, pela sua complexidade, se forem detectados mais casos positivos, estes terão de ser internados e os seus contactos isolados.

Reinício do ano lectivo depende da evolução epidemiológica do país

Sobre a bio-segurança das escolas, a governante explicou que o Ministério da Educação tem trabalhado, a nível da Comissão Multissetorial, nas suas medidas de desconfinamento de forma sectorial, igualmente o da Energia e Águas, para encontrarem as plataformas adequadas a fim de garantir a segurança e a protecção dos estudantes.

“Claro que o reinício das aulas depende da evolução da situação epidemiológica e a garantia destas condições. Mas o que podemos aqui transmitir é que o Ministério da Educação desdobra-se em esforços para conseguir ter as condições mínimas adequadas à nossa realidade”, garantiu.

No entanto, apelou aos pais e encarregados de educação a colaborarem na sensibilização dos filhos ou educandos a irem à escola com máscaras, evitarem juntar-se e lavarem as mãos com frequência.

Quanto à feitura dos testes a professores e demais intervenientes no processo formativo, durante as aulas, a ministra da Saúde disse constar nos planos, mas que não se deve comparar a nossa realidade com a de outros países.

Em relação à cerca sanitária da Clínica Multiperfil, tranquilizou os profissionais que lá se encontram no sentido de cumprirem as regras de saúde pública, uma vez que já foram recolhidas as amostras para análise e estão a ser processadas. Os resultados vão saindo e, cumprindo as regras, vai-se levantar a cerca sanitária.

Por outro lado, a governante disse que o Estado, por via da Comissão Multissectorial e das entidades ligadas ao Ministério das Relações Exteriores, está a acompanhar as comunidades angolanas no exterior.

Está a ser feito um trabalho profundo a nível da Comissão Multissectorial para se encontrar a melhor estratégia para trazer os angolanos que se encontram fora do país de forma segura.

“Nós temos estado a assegurar o repatriamento de cadáveres (pessoas que estão a falecer no exterior) desde que não tenham Covid-19. Estão a regressar com os seus familiares dentro do que está estabelecido no nosso competente decreto de estado de calamidade”, assegurou.

A porta-voz da Comissão Multissectorial para Prevenção e Combate à Covid-19 disse ainda que nesta actual situação de calamidade pública se tem realizado alguns voos humanitários.