Consultor da DW aponta estratégias para ultrapassar carência de água

O consultor do Programa de Águas da organização não-governamental Development Workshop (DW), Kupy Baptista, defendeu ontem Segunda-feira, que as estratégias para ultrapassar a carência de água potável nas comunidades passem pela gestão colectiva dos pontos de abastecimento, segundo a Angop. 

Em declarações à imprensa, referiu ser importante que as autoridades públicas resgatem e aproveitem, em primeiro lugar, as várias experiências dos actores não estatais que operam em Angola, com objectivo de melhorar o abastecimento de água nas zonas peri-urbanas e rurais, sobretudo nesta fase de prevenção e combate à covid-19. 

No caso particular da DW, o especialista disse que umas das suas experiências estão relacionadas com o empoderamento das comunidades, treinamento e acções de sensibilização, de modo a promover mecanismos de gestão colectiva dos pontos de água e saneamento básico de que são beneficiários. 

Kupy Baptista explicou que esta medida permite ainda adopção de mecanismos de sustentabilidade desses pontos, aplicando a abordagem da recuperação de custos, com a criação, após a conclusão, de um forte capital social das comunidades, tornando-as, deste modo, num aliado fundamental e promotor dos objectivos das autoridades públicas. 

Por isso, realçou a necessidade da construção de pontos de água potável nas escolas, centros de saúde, igrejas e locais de maior concentração populacional, que, por sua vez, devem ser geridos pela comunidade local, além da realização de um estudo profundo dos bairros e zonas peri-urbanas sem conexão com a rede de abastecimento do produto. 

Minimizou que este estudo, tal como as ligações, podem ser feitos num curto espaço de tempo e com poucos recursos, devendo também ser uma responsabilidade social das empresas, para que a população tenha mais condições para manter sua higienização, com o retorno, nos próximos dias, das aulas, cultos e missas religiosas. 

De igual modo, prosseguiu Kupy Baptista, com o retorno ao “novo normal”, as escolas devem possuir balneários ou latrinas para facilitar a higienização dos alunos e professores, ou ainda, como solução não menos importante e pouco agradável, a montagem de tanques ou reservatórios de água, com garantias de reabastecimento regular. 

“É importante que nas escolas onde não há rede de água canalizada tenham, no mínimo, furos ou chafarizes, para fazer face aos desafios da prevenção e combate à gripe por coronavírus (covid-19) e, ao mesmo tempo, reduzir outras doenças resultantes da falta de higiene, principalmente das mãos”, concluiu o consultor da DW. 

Implantada na província do Huambo desde 1997, a actividade da DW tem como principal foco o planeamento urbano participativo e o apoio às comunidades, tendo como estratégias a implementação de projectos de habitação, alterações climáticas, provisão e gestão de serviços de água e saneamento, estudos e pesquisas aplicadas, reforço institucional, entre outras iniciativas. 

No país esta organização não-governamental de origem canadiana existe desde 1981, com representações fixas nas províncias do Cunene, Cuanza-Sul, Huambo, Huíla e Luanda, onde realiza acções de reabilitação de sistemas abastecimento de água, abertura de furos de água a manivelas, construção de chafarizes, além de projectos ligados à água e saneamento gerido pela comunidade. 

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