Políticos e sociedade civil defendem continuidade da situação de calamidade

Políticos e sociedade civil defendem continuidade da situação de calamidade

O presidente do Partido de Renovação Social (PRS), Benedito Daniel, considerou arriscada a medida de se levantar a situação de calamidade, por causa do número de casos positivos que aumentam a cada dia. 

Para o político, o “estado de calamidade” deve ser levantado de forma faseada, em função do comportamento da pandemia. 

“Temos estado a observar que o número de casos continua a aumentar e nada está a indicar que o vírus não está em circulação nas comunidades”, disse, acrescentando ser necessário  ter prudência e ver como o vírus se vai comportar num período de mais quinze dias. 

Alertou que levantar a situação de calamidade seria um exercício inútil que poderia colocar em risco a vida de toda a população e “pôr por água abaixo todo o trabalho até aqui desenvolvido”, sublinhou. 

Para o presidente da Associação Construindo Comunidades (ACC), Padre Pio Wakussanga, o levantamento deve acompanhar a tendência ou a evolução do número de casos a se registar no país. 

Padre Pio, que defendeu um confinamento mais pedagógico ou educativo, sem o uso da força, entende que actividades como a reabertura das aulas e dos cultos religiosos deveriam depender também da evolução do número de casos. 

“Somos de opinião que devíamos aguardar mais um pouco, para vermos qual será a tendência do aparecimento de novos casos. O desconfinamento deve ser gradual” apelou. 

O sacerdote católico e pároco da Missão Católica dos Gambos, com sede no Chiange, na província da Huíla, há uma semana apelou ao Governo para ponderar o levantamento do “estado de calamidade”, tendo em conta a vulnerabilidade de algumas famílias desfavorecidas. Na visão do responsável da ACC, uma vez levantada situação de calamidade, enquanto vão surgindo casos positivos, apesar de de forma paulatina, as autoridades sanitárias podem perder o controlo da situação da Covid-19. 

O período de calamidade pública que vigora desde o dia 26 de Maio termina hoje, e a decisão sobre o seu levantamento ou continuidade poderá ser tomada a oportunamente pelas autoridades. 

Enquanto isso, nesta Terça-feira, 9, às 9 horas, os deputados à Assembleia Nacional reúnem-se na sua 5ª  Reunião Plenária Extraordinária da 3ª Sessão Legislativa da IV Legislatura para a apreciação da Declaração de Estado de Emergência decretado pelo Presidente da República, João Lourenço, que vigorou de 27 de Março a 25 de Maio do ano em curso.