Trump queria colocar soldados em Washington

Trump queria colocar soldados em Washington

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou aos seus conselheiros em certo momento da semana passada que queria colocar 10 mil soldados na região da capital Washington para interromper a agitação civil motivada pelo assassinato de George Floyd por um policial branco em Minneapolis no final de Maio.

Segundo um oficial sénior dos EUA, a exigência de Trump ocorreu durante discussões acaloradas no Salão Oval, na passada Segunda-feira, e mostra o quão perto o Presidente norte-americano esteve de cumprir a ameaça de deslocar soldados para a capital do país, apesar da oposição da liderança do Pentágono.

Na reunião, o secretário de Defesa, Mark Esper, o presidente do Estado-Maior Conjunto, general Mark Milley, e o procurador-geral, William Barr, foram contra o envio, disse o oficial, que pediu para não ser identificado. A reunião foi “tensa”, acrescentou o oficial.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Desde então, Trump pareceu satisfeito com o envio da Guarda Nacional, a opção recomendada pelo Pentágono e uma maneira mais tradicional de lidar com crises domésticas. Os líderes do Pentágono ligaram para governadores pedindo que tropas da Guarda Nacional fossem enviadas a Washington. Mais forças policiais federais também foram mobilizadas.

Mas também parece ter sido chave para Trump a medida de Esper de posicionar – mas não deslocar – soldados da 82ª divisão aérea e de outras unidades da área de Washington, caso elas fossem necessárias. Essas tropas, desde então, já partiram.

“Ter soldados activos disponíveis, mas não na cidade, foi o bastante para o Presidente no momento”, disse o oficial.

A tentativa de Trump de militarizar a resposta dos EUA aos protestos motivou uma rara condenação de ex-oficiais militares dos EUA, incluindo o primeiro secretário da Defesa de Trump, Jim Mattis, e aposentado general quatro estrelas que normalmente fica longe da política.

Esses comentários refletem uma profunda inquietação dentro e fora do Pentágono com a inclinação de Trump de colocar o exército dos EUA para resolver uma crise doméstica oroginada pela tensão racial.

A crise teve como base o facto de George Floyd, 46 anos, ter sido assassinado no dia 25 de Maio, quando um policial branco de Minneapolis ficou ajoelhado sobre o seu pescoço durante quase nove minutos. Imagens mostram que o polícia não se importou com os apelos de Floyd pela vida ou gritos de pessoas alertando que ele estava a matar Floyd.

A morte de Floyd levou a uma onda de protestos e reflexões nacionais sobre o legado de violência e maus tratos a americanos negros e outras minorias.

Também levou a líderes negros do Pentágono a emitirem comunicados sem precedentes sobre experiências com assuntos raciais no exército americano.