A cultura do plágio

A cultura do plágio

Não é novidade para ninguém que já tivemos leis neste país passadas a papel químico de outras realidades. Casos de plágio, até entre jornalistas. É quase uma cultura instituída. Agora há os que variam, pagam a quem escreva por eles (muitas vezes plágio também). Assinam. Está feito. Venham os holofotes. A tudo isto se chama roubo. Roubo de propriedade intelectual. Roubo do esforço de outrem.

É indigno andar por aí a pavonear-se da autoria de algo pertença de outra pessoa. É o ponto mais alto falta de vergonha. As pessoas ganham admiração imerecida. Respondem aos aplausos com sorrisos. Deve ser uma espécie de demência que se espalha pelo país. Os casos são muitos. Muitos mesmo. Na literatura, no jornalismo, na música, entre juristas e … em gerações de novos licenciados cujos trabalhos de curso são feitos, a troco de pagamento, físico ou monetário, por um professor, por alguém conhecedor do esquema, ou simplesmente retirados da Internet.

Não espanta, nem um bocado, que alguém se apresente a um concurso literário com obra alheia e o assine por baixo jurando ser de sua lavra. É assim que se vive agora em Angola, com a mesma desonestidade com que um filho de uma alta figura do país aproveita o seu posto bem remunerado num banco ou num ministério para roubar, clientes, instituições, o país.

E desfilam por aí reclamando rótulos de empreendedores, de criativos. De jovens de sucesso. As marcas automóveis, as casas, as viagens, as amantes, os restaurantes frequentados são a prova do suposto sucesso gerado pelo seu cérebro. Não dão ouvem a almofada que à noite lhes diz à consciência que são ladrões, que são uma mentira.

Mas também é simples: se não a mataram antes, não há consciência que resista a tanta imoralidade intelectual, morre. Estamos a erguer um país de faz de contas, em que vale tudo, até roubar o pensamento.