FAO entra no combate à Covid-19 com reforço na conservação dos alimentos

FAO entra no combate à Covid-19 com reforço na conservação dos alimentos

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em Angola está empenhada no incremento da produção nacional, no âmbito das respostas de resiliência à Covid-19 que o Governo está a desenvolver como parte das medidas de mitigação do impacto económico desta pandemia, revelou, ontem, em Luanda, a sua representante local, Gherda Barreto Cajina.  

A diplomata fez este anúncio no mercado do Asa Branca, no município do Cazenga, durante o acto que marcou a celebração, pela primeira vez em Angola, do Dia Mundial da Segurança dos Alimentos, declarado pela Assembleia Geral da ONU a 7 de Junho de 2018. 

O evento, que decorreu sob o lema “Segurança dos alimentos, um assunto de todos”, foi presidido por si e pela secretária de Estado para Família e Promoção da Mulher, Elsa Bárber Dias dos Santos.  

Gherda Cajina explicou ainda que teve início uma campanha com os governos do mundo para reforçar as medidas de segurança alimentar internacional, a fim de que haja maior garantia dos alimentos. Um processo que passa pela revisão da indústria de medicamentos veterinários, pela marcação nutricional dos alimentos, entre outras medidas.  

Tal trabalho é também realizado com os produtores para a implementação de boas práticas na produção dos alimentos, assim como no processamento dos mantimentos.  

Gherda Cajina considera ser fundamental a utilização de água potável, temperatura adequada e a higienização dos espaços de tratamento dos alimentos. 

Em Angola, a visita ao mercado visou sensibilizar os vendedores e consumidores sobre as medidas a ser tomadas para garantir a segurança dos alimentos. Pelo que constatou, concluiu que há ainda um grande trabalho por parte da administração local para garantir maior segurança dos alimentos. 

Gherda Cajina ressaltou que tal é possível, tendo em atenção os métodos de trabalho em funcionamento no mercado, como a organização comunitária de trabalhadores, a fim de garantir a venda segura dos mantimentos. 

“É um espaço onde os consumidores podem vir e comprar alimentos em segurança. Por isso estamos a reforçar as práticas destes vendedores, principalmente as mulheres, na higienização dos alimentos. Especialmente porque os alimentos perecíveis, que são também os mais nutritivos, como frutas e legumes, devem estar em segurança”, apelou.  

A representante de FAO enalteceu o trabalho desenvolvido pela administração do mercado por se pautar também pela gestão sanitária. “Aqui também há uma boa interacção entre os vendedores e os consumidores, por isso achamos o espaço ideal para celebrar a data e consciencializar a população, principalmente nesta fase em que se vive a pandemia”, frisou. Acrescentou de seguida que “é uma cadeia de valor que se deve seguir, uma vez que o processo de desinfecção e higienização dos alimentos é fundamental neste período de Covid-19”, enfatizou.    

Diagnóstico e conservação de alimentos no Asa Branca 

Durante o acto, o primeiro no país relativo à data celebrada, os participantes fizeram uma breve visita a várias secções do mercado, a fim de se constatar e encorajar a boa prática em termos de conservação dos alimentos por parte dos vendedores e consumidores. Puderam transmitir aos utentes deste recinto que quando os alimentos são mal conservados sofrem contaminação por bactérias, vírus, parasitas ou substâncias químicas, o que actualmente tem causado a morte de cerca de 420 pessoas em cada ano. 

Esta actividade foi promovida pela FAO e a Organização Mundial da Saúde, em parceria com os Ministérios da Acção Social, Família e Promoção da Mulher; da Agricultura, Florestas e Pescas, e o do Comércio e Indústria, bem como do Governo Provincial de Luanda. Elsa Bárber mostrou-se satisfeita ao ver o cumprimento das medidas de higiene acauteladas relativas ao combate à Covid-19, mas reconheceu a necessidade de se fazer mais, para que haja maior conservação dos alimentos na área dos pescados. 

“É um mercado que inspira regras e boas práticas na manipulação dos alimentos. Por isso escolhemos o Asa Branca, para servir de exemplo para os demais mercados. Com relação ao pescado, devemos fazer mais, mas, em termos de mercados de secos, o atendimento e a área de leguminosas teve uma boa evolução. É um mercado inspirador no que tange a regras de higiene apresentadas, actualmente, devido à doença da Covid-19”, constatou a responsável. 

Nesta fase de pandemia, em que as medidas de segurança alimentar devem ser redobradas, a secretária de Estado para a Família e Promoção da Mulher aconselhou à higienização constante dos alimentos e a sua conservação segura, para evitar a sua contaminação. Apelou ainda aos cidadãos a conduzirem as boas acções nas suas residências. 

“As boas práticas devem começar a partir mesmo de casa e expandir-se à comunidade. As famílias, também devem obedecer as regras de manipulação dos alimentos que confeccionam, desde a acomodação, conservação e acondicionamento. Razão desta visita, a fim de se promover as boas práticas alimentares”, frisou. 

Alimentos contaminados matam 420 mil pessoas no mundo 

Actualmente estima-se que uma em cada 10 pessoas adoece no mundo após consumir alimentos contaminados por bactérias, vírus, parasitas ou substâncias químicas, e que 420 mil pessoas morrem a cada ano, sendo as crianças menores de cinco anos as mais afectadas (125 mil mortes anuais), de acordo com a FAO.  

Preocupada com a situação, Gherda Cajina apela às famílias a terem maior atenção com os bens alimentares que disponibilizam às crianças. “40 por cento das vítimas são menores de 5 anos. Então, estamos a falar que é trabalho da família tentar evitar que crianças menores consumam alimentos contaminados”.