Hospital de campanha da ZEE recebe primeiros pacientes de Covid-19

Hospital de campanha da ZEE recebe primeiros pacientes de Covid-19

Sílvia Lutukuta anunciou que quatro cidadãos nacionais (três do sexo masculino e um do sexo feminino), com idades compreendidas entre os 21 e os 32 anos de idade, detectados ontem com a Covid-19, foram encaminhados ao hospital de campanha erguido no Km 27, em Luanda.

Os quatro indivíduos fazem parte de um grupo de cidadãos provenientes da Rússia que se encontram a cumprir a quarentena institucional num dos centros de referência. “Vale referir que os mesmos estão internados no nosso Centro de Tratamento da Covid-19 na Zona Económica Especial. São os primeiros doentes no centro”, referiu.

O país registou, nas últimas 24 horas, mais quatro novos casos positivos da Covid-19, perfazendo um total de 96 casos confirmados, com quatro óbitos e 38 recuperados. Entre os 54 activos, um requer atenção especial e os restantes estão clinicamente estáveis nas unidades sanitárias de referência.

Por outro lado, Sílvia Lutukuta esclareceu que existe um risco de rápida propagação do novo Coronavírus, podendo mesmo dar origem a novas cadeias de transmissão em zonas vizinhas.

Revelou que ontem foi assinado um decreto Executivo conjunto, consignatário pelos ministérios do Interior e da Saúde, que determina a manutenção da cerca sanitária da província de Luanda. O novo ciclo da cerca sanitária vigora das 00 horas de hoje, dia 10, e vai até às 23h59 do dia 24 deste mês.

A governante disse que a autoridade de saúde pública reconhece que a província de Luanda se encontra numa situação epidemiológica e, por isso, houve a necessidade de se adoptar medidas urgentes na capital do país, no âmbito da Declaração da Situação de Calamidade por força da pandemia da Covid-19.

Segundo Sílvia Lutukuta, a medida deve-se ao facto de Luanda registar ainda um elevado risco de propagação da Covid-19 nas comunidades.

Entretanto, o decreto acima mencionado interdita a circulação e permanência de pessoas na via pública, excepto para deslocações urgentes (inadiáveis), nomeadamente para a venda e aquisição de bens alimentares ou farmacêuticos e acesso a unidades de cuidados de saúde. Prevê também o acesso ao local de trabalho, bem como assistência e cuidado a idosos, menores dependentes e pessoas especialmente vulneráveis.

Nesta senda, é permitida a entrada e saída de Luanda dos profissionais de saúde, das forças de segurança e defesa, o regresso ao local de residência habitual, devidamente justificados e autorizados.

Cerca sanitária de Massabi levantada

A ministra da Saúde fez saber que foi levantada, ontem, a cerca sanitária da comuna de Massabi, município de Cacongo, província de Cabinda, considerando ser uma boa notícia.

De recordar que tal cerca sanitária havia sido imposta há cerca de 25 dias, em função dos casos positivos de Covid-19 registados nas localidades vizinhas de Timizi, distrito de Ntiamba Nzassy, na República do Congo Brazzaville.

Sílvia Lutukuta disse que o mesmo não acontecerá de imediato com as cercas sanitárias da Multiperfil e do Hoji ya Henda.

“É importante aqui continuar a tomar as medidas de protecção individual e colectiva. Devemos, de facto, continuar a manter o uso das máscaras, lavar as mãos com água e sabão, o uso do álcool gel quando possível e manter a distância entre as pessoas”, apelou.

A governante fez saber que há uma série de crianças que são infectadas no conjunto da família, sendo que noutros casos é a família inteira, algo que ajuda na gestão. “É mais fácil e a esses são feitos os internamentos dependendo da idade que a criança tem e, na sua maioria, eram crianças pequenas que ficavam com as suas mães. Já tivemos o caso de uma criança que ficou com o seu pai porque só eles estavam infectados”, salientou.

Entretanto, fez saber que o comportamento do vírus em África tem estado a variar, uma vez que não actua apenas em pessoas com idades avançadas, mas sim pessoas adultas jovens, crianças e bebés. Oque levou à realização de estudos profundos para se perceber o que se passa.

Questionada sobre os médicos cubanos espalhados pelo país e o diagnóstico suportado por análises para ajudar esses profissionais a trabalhar, a ministra da Saúde disse que o Estado está a munir as unidades sanitárias com equipamentos mínimos indispensáveis e necessários.

Fez saber que já está contratado o fabrico de equipamentos de Raio X que virão da fábrica da Siemens na Alemanha, e já estão na linha de montagem os equipamentos que vêem para Angola.

“Estamos no projecto do “Sangue Seguro”. Estamos a apetrechar os bancos de sangue. Já ouve uma evolução muito grande. Os equipamentos continuam a ir para todas as províncias, porque a nossa meta é ter bancos de sangue garantidos em todos os lugares em que temos condições mínimas para os estabelecer”, contou.

Nesta senda, fez saber que também há um projecto nacional de apetrechamento de laboratórios para garantir análises e que se fez a aquisições de equipamentos em dimensão de cada unidade. E os médicos cubanos não deixam de prestar um bom serviço, até porque parte importante do diagnóstico vem da observação e conversa com o doente. 

País com quatro mil amostras não processadas  

Quatro mil amostras de exames do novo Coronavírus aguardam por processamento, revelou a ministra Sílvia Lutukuta.

Salientou ainda que os dados das amostras colhidas que têm sido fornecidos são das já processadas. “Em abono da verdade, nós temos muito mais amostras do que isso. Temos amostras não processadas… quatro mil”, frisou.

Sílvia Lutukuta fez saber que no Instituto Nacional de Investigação em Ciências de Saúde, o Instituto de Luta Contra a SIDA, no Hospital Militar e também no privado Luanda Medical Center, o país tem o registo de 12.924 amostras tratadas, 96 positivas, 12.047 negativas e 781 se encontram em processamento.

Disse ainda que há 816 pessoas a observar a quarentena institucional em todo o país, em vigilância estão 1.160 e 457 são casos suspeitos investigados.

Profissionais de saúde da Multiperfil terão os testes em 72 horas  

Sobre as manifestações realizadas ontem por dezenas de funcionários da Clínica Multiperfil que se encontram em quarentena institucional, Sílvia Lutukuta esclareceu que se reuniu em vídeoconferência com a direcção da clínica e foram delimitadas as responsabilidades do Ministério e as desta instituição.

Disse acreditar que depois desta reunião, os ânimos dos manifestantes se acalmaram e perceberam os fundamentos que levaram á instauração da cerca sanitária nesta unidade de saúde.

“As pessoas perceberam o que são medidas de saúde pública e que é importante continuar a investir na formação dos nossos profissionais que lá estão confinados. Nós demos um prazo de 72 duas horas para ter os resultados das pessoas que estão dentro da cerca sanitária”, contou.

Por ouro lado, em relação à cerca sanitária do Hoji ya Henda, disse ser provável que neste rastreio se encontre outros casos e que medidas de saúde pública estão sendo tomadas. “É uma cerca de altíssimo risco”, frisou.

Pacientes curados da Covid-19 podem ser reinfectados

Sílvia Lutukuta explicou que os de pacientes que depois de testarem positivo e recuperaram, mesmo com alta, devem continuar a cumprir as medidas de protecção individual e colectiva porque o facto de se estar curado não significa que não se pode voltar a ser infectado.

“O grau de imunidade desses pacientes na Covid-19 é inferior a 25 por cento. Portanto, a maior parte do organismo da pessoa não fica protegida por ter tido a doença, não cria os anticorpos. Então, continua a ter a possibilidade de ser reinfectado”, revelou.

Sílvia Lutukuta fez saber que entre os 38 cidadãos recuperados, está o indivíduo o indivíduo que recebeu o nome de “Caso 26” e se tornou um fenómeno nas redes sociais por ter contagiado alguns membros da sua própria família e amigos.

Por sua vez, o director de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior, sub-comissário Waldemar José, explicou que nesta altura em que o país vive um estado de calamidade pública, o grau de responsabilidade é de todos.

Fez saber que não somente o Estado (os órgãos de defesa e segurança) deve assumir essa responsabilidade, como se fazia no estado de emergência, em que havia uma imposição por parte dos órgãos de defesa e segurança, no sentido do cumprimento de todas as medidas constantes nos vários decretos presidenciais que vigoravam.

“Hoje há uma componente de vários princípios. O Estado avaliou que é necessário prevalecer a retoma das actividades económica e, por outro lado, a necessidade de prevalecer o aspecto vida e a saúde”, disse.