Burundi inicia luto oficial pelo Presidente Nkurunziza

Burundi inicia luto oficial pelo Presidente Nkurunziza

Usando máscaras e luvas para impedir a propagação do novo coronavírus, altos funcionários do governo, embaixadores estrangeiros e líderes religiosos ficaram alinhados numa fila para assinar um livro de condolências aberto em sua memória no palácio presidencial.

A esposa de Nkurunziza, Denise Bucumi, parecia estar ausente. O serviço de ambulância aérea AMREF disse à Reuters que a levou de avião a Nairóbi em 21 de Maio, para tratamento médico, mas se recusou a confirmar relatos generalizados na mídia queniana de que estaria no Quénia para receber tratamento da Covid-19, a doença pulmonar causada pelo novo coronavírus.

Pedidos de comentários sobre a saúde de Bucumi feitos Willy Nyamitwe, aliado e conselheiro próximo de Nkurunziza, ficaram sem resposta.

Havia pouca demonstração pública de luto nas ruas. “Ele deixa para trás um país cuja economia está em péssimas condições”, disse um funcionário do hospital que pediu para não ser identificado por medo de represálias.

A economia do Burundi está atolada na pobreza e com cortes de financiamento de doadores internacionais, depois que as Nações Unidas documentaram práticas de estupro, tortura e assassinato generalizados de oponentes políticos por activistas do partido no poder e forças de segurança estatais.

Ainda não é claro se a poderosa aliança de generais do exército e chefes de segurança que sustentaram Nkurunziza durante os seus 15 anos de governo permanecerá unida durante a sucessão.

Nkurunziza deveria se retirar em Agosto, abrindo caminho para o general aposentado Evariste Ndayishimiye, que venceu a eleição no mês passado, mas que a oposição disse ter sido marcada por violência e manipulação. O tribunal constitucional, na semana passada, rejeitou as acusações de manipulação.

Pascal Nyabenda, um civil que lidera a Assembleia Nacional, deve assumir o comando até que Ndayishimiye, seu ex-rival, inicie o seu mandato de sete anos no final de Agosto.

As autoridades não comentaram sobre a sucessão ou a data do enterro de Nkurunziza.

O Burundi expulsou o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) no mês passado, em meio a críticas ao manejo pelo governo da pandemia de coronavírus.

O país realizou muito poucos testes e fizeram-se grandes comícios durante o período eleitoral.