Covid-19 dispara de 96 para 113 em 24 horas

Covid-19 dispara de 96 para 113 em 24 horas

Os pacientes foram internados no Hospital de Campanha para Tratamento da Covid-19, localizado na Zona Económica Especial (ZEE), em Viana, após terem sido detectados como portadores do novo Coronavírus, disse Sílvia Lutukuta.

A governante disse, na habitual conferência de imprensa de actualização diária sobre a situação epidemiológica no país, que os 17 cidadãos, dentre eles 16 do sexo masculino e um do sexo feminino, se encontravam em quarentena institucional desde o momento em que chegaram ao país.

Por esta altura, a estatística indica um total de 113 casos positivos, quatro óbitos, 40 recuperados, uma vez recuperaram mais dois, nas últimas 24 horas, e 69 casos activos, sendo que um requer atenção especial e os restantes estão clinicamente estáveis nas unidades sanitárias de referência.

Importa referir que dos 113 casos confirmados, 51 são importados e 62 de transmissão local.

Sílvia Lutukuta revelou existirem neste momento 1.016 amostras em processamento laboratorial e que, por outro lado, das processadas, 113 amostras são positivas e 12.112 negativas. Sílvia Lutukuta aconselhou a população a manter as medidas de protecção individual e colectiva como a lavagem frequente das mãos, o uso das máscaras em locais indicados e manter o distanciamento, para se conseguir cortar a cadeia de transmissão.

Fez saber que actualmente estão a ser montados dois hospitais de campanha nas províncias de Cabinda e Lunda-Norte. Entretanto, ontem, a equipa multissectorial fez uma avaliação das condições para a implantação de hospitais de campanha no Zaire e Uíge, uma vez que estas províncias constituem foco de preocupação por causa do risco, devido à situação epidemiológica dos países com que Angola faz fonteira nestas zonas. Deste modo, espera-se ter melhor capacidade de resposta.

Reiterou a permanência do cordão sanitário no Hoji ya Henda, Condomínio Olívia e na Clínica Multiperfil e da cerca sanitária nacional e a provincial de Luanda.

“Temos que continuar a valorizar a Covid-19 como um grande desafio da humanidade. Estamos a falar de uma doença altamente contagiosa e com complicações, que tem um impacto muito grande do ponto de vista social e económico para os países. E, a título individual, alto contágio e manifestações clínicas que podem ser muito graves e levar à morte”, detalhou.

A ministra da Saúde disse que inicialmente o que se pensava da Covid era que o órgão ou o sistema mais afectado era o sistema respiratório, mas hoje já se sabe que a Covid-19 é uma doença multisistémica que pode afectar vários órgãos e não só os pulmões.

Nesta senda, explicou que alguns doentes graves vão precisar de ventilação porque vão ter insuficiência respiratória. Outros ainda podem ter doenças neurológicas com infecção do sistema nervoso central, do aparelho digestivo, do urinário, bem como manifestações oculares por causa da Covid-19.

Assintomáticos continuam a ser grandes transmissores da Covid-19

Por outro lado, Sílvia Lutukuta disse que já é conhecido o comportamento, em parte, da doença no seio dos angolanos, sendo que os pacientes assintomáticos são os grandes transmissores do novo Coronavírus.

“Nós temos de ter cautela com os nossos doentes assintomáticos. Se estando a fazer a quarentena não cumpre, imaginem um doente assintomático incumpridor. Quantos casos teriam gerado?” indagou.

Ante ao silêncio dos presentes, ressaltou que com a instauração da quarentena institucional obrigatória se obteve grandes ganhos. “Nós tivemos, na primeira leva, cerca de 27 casos, três dos quais tiveram quarentena domiciliar e geraram uma serie de contactos que depois foram positivos”.

Salientou que mais de 95 por cento dos casos registados até ao momento são assintomáticos e que apenas dois casos foram os grandes transmissores, gerando o número de casos que o país tem.

Por outro lado, fez saber que a Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19 tem estado a estudar a melhor forma de acudir, com voos humanitários, os cidadãos angolanos retidos no exterior do país devido à pandemia que assola o mundo.

A prioridade recaiu para os que se encontram na Turquia, sendo que muitos deles são mulheres que foram a este país europeu no exercício de actividade comercial. Um serviço semelhante será feito aos angolanos que se encontram em outros países, entre os quais Portugal.

Explicou que é um processo gradual porque os viajantes terão de permanecer em quarentena institucional. “Já percebemos que no nosso seio a quarentena institucional é que funciona. Temos de preparar condições. Não estamos esquecidos, tudo tem de ser bem programado e olhar para nossa capacidade local e as condições para alojamento”, explicou.

Ministra desmente casos de risco no Futungo

Questionada sobre casos de riscos de contágio no Futungo, a porta-voz da Comissão Multissectorial para o Combate à Covid- 19 desmentiu a informação, garantindo que todas as pessoas que estiveram na zona abrangida pela cerca sanitária foram testadas e os casos positivos, bem como os seus contactos, insolados e mereceram um tratamento adequado do ponto de vista de saúde pública.

“Por enquanto, não temos registo aparente e continua a ser feito o seguimento daquela área porque depois da cerca não fica tudo abandonado. As nossas equipas de saúde pública continuam a acompanhar”, esclareceu.

“Cercados” no Hoji ya Henda podem ser liberados no final de semana

Sílvia Lutukuta garantiu que até ao fim-de-semana se poderá estar em condições de levantar a cerca sanitária instalada em algumas ruas do bairro Hoji ya Henda, uma vez que as equipas do laboratório continuam a processar as amostras dos mais de três mil habitantes.

Em termos de perspectiva sobre a duração da pandemia no país, a governante disse ser imprevisível, uma vez que há estudos que têm sido feitos e mostrado uma média muito longa de permanência de casos activos no nosso seio.

“Nós tivemos pessoas que ficaram positivas mais de dois meses. Temos pessoas que ficaram positivas, desde o diagnóstico, menos de 15 dias. Tudo depende do nosso organismo, da capacidade das defesas do nosso organismo”, frisou. Acrescentou de seguida que “há uma série de factores que nos podem pesar, até mesmo o nosso estado psicológico”.

“Covid-19 já matou nove angolanos na diáspora”

A revelação foi feita pela ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, ao apresentar o quadro geral dos angolanos na diáspora. Disse que nos Estados Unidos da América há seis angolanos infectados, dos quais dois recuperados. Em França o registo é de dois casos recuperados e um óbito. Na Bélgica um caso positivo que foi a óbito.

Já em Portugal, a cifra é maior, com 40 infectados, dos quais 17 recuperados e dois óbitos.

No Reino Unido o registo é de nove infectados, sendo cinco recuperados e quatro óbitos. Na Turquia um caso e um óbito. Já na Rússia há nove infectados e nove recuperados.

Morte de 19 crianças na pediária

Por outro lado, questionada sobre a morte de 19 crianças por falta de ventiladores na Pediatria de Luanda, a ministra da Saúde disse que estar triste com a situação, porque as famílias têm levado as crianças muito tarde aos hospitais.

Disse que as crianças chegam em estado crítico, na sua maioria, e acabam por morrer com menos de seis horas na urgência.

“Até 24 horas não é considerado um óbito hospitalar. O que está a acontecer é que vêm todos muito graves e não com as mesmas doenças. Uns vêm com situações de desidratação grave, outros com insuficiência respiratória aguda grave, mas não é Covid, porque estamos a testar todos os doentes com essas patologias. Há outros com anemias graves”, detalhou.

Disse estarem a aparecer igualmente casos de malnutrição muito grave. Nesta senda, apela aos pais a levarem mais cedo os filhos, mesmo em fase de calamidade pública, por se tratar de doença. Negou que se trate de falta de ventiladores, alegando que a maioria não precisa de ser ventilada.

Angola e Portugal estudam mutação do vírus

“Já temos uma colaboração com o Instituto Ricardo Jorge e com o Instituto de Medicina Tropical de Portugal que estão comprometidos connosco para fazer o sequenciamento deste vírus, principalmente daqueles casos de grandes transmissores e daqueles que levaram muito tempo a recuperar”, disse a ministra da Saúde.

Fez saber que a nível interno, desde o início da pandemia, estão a trabalhar com o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, sendo que uma das vertentes do plano de contingência é a investigação e há cinco projectos em curso.

Contou que há um projecto que também tem análise profunda de biologia molecular e genética, que estuda as mutações, uma vez que o vírus sofreu muitas mutações e torna-se mais ou menos violento no contágio, algo que está acontecer no seio dos angolanos.