Protestos “mudarão o mundo inteiro” após funeral de George Floyd, diz reverendo Al Sharpton

Protestos “mudarão o mundo inteiro” após funeral de George Floyd, diz reverendo Al Sharpton

Manifestantes voltaram às ruas de todos os Estados Unidos nesta Quarta-feira, um dia após o funeral de George Floyd, cuja morte sob custódia da Polícia desencadeou o maior aumento de activismo anti-racista desde a era dos direitos civis nos anos 1960.

Centenas de manifestantes de Seattle, cidade da costa Oeste do país, encheram a prefeitura no início da manhã, a pedir a renúncia da prefeita e reformas na Polícia.

Mais protestos são esperados de Atlanta à cidade de Nova York e Los Angeles no que será o 16º dia seguido de manifestações.

Em Washington, um dos irmãos de Floyd falou numa comissão parlamentar comandada por democratas nesta Quarta-feira agora que os parlamentares estão a confrontar os temas da violência policial e da injustiça racial.

Na Terça-feira, no funeral realizado em Houston, o activista veterano dos direitos civis e reverendo Al Sharpton disse aos presentes que Floyd agora é “o pilar de um movimento que mudará o mundo inteiro”.

Sharpton disse que a família Floyd liderará uma marcha em Washington no dia 28 de Agosto para comemorar o 57º aniversário do discurso “Eu Tenho um Sonho” realizado pelo líder dos direitos civis Martin Luther King Jr., que foi assassinado em 1968, nos degraus do Memorial a Lincoln.

Floyd, de 46 anos, morreu depois de um agente policial branco o ter sufocado ajoelhando-se sobre o seu pescoço durante quase nove minutos no dia 25 de Maio numa rua da cidade de Mineápolis.

O polícia Derek Chauvin, de 44 anos, foi acusado de homicídio doloso, e outros três agentes de cumplicidade.

A morte de Floyd provocou uma onda de protestos contra o racismo e os maus tratos sistemáticos de pessoas negras em cidades dos EUA.

Ela também inspirou protestos anti-racismo em vários países da Europa. No Reino Unido, que tem o seu próprio legado conflituoso de ex-império, estátuas de figuras históricas ligadas ao comércio de escravos foram derrubadas ou retiradas.

Embora essencialmente pacíficos, os protestos têm sido ofuscados por incêndios criminosos, saques e choques com a Polícia, cujas táticas frequentemente truculentas atiçaram a revolta.

O furor também lançou o presidente Donald Trump numa crise política. Ele ameaçou diversas vezes adoptar acções duras para restaurar a ordem, mas tem tido dificuldade para unir a nação e sido incapaz de tratar da questão de desigualdade racial.

Durante uma cerimónia de quatro horas transmitida ao vivo de uma igreja de Houston, cidade em que Floyd cresceu, familiares, lideranças religiosas e políticos fizeram um apelo aos norte-americanos a transformarem a tristeza e a revolta num momento de acerto de contas.

Cerca de 2.500 pessoas compareceram ao funeral depois de mais de 6 mil passarem para ver o caixão aberto de Floyd na Segunda-feira.