Sindicato diz que há médicos especialistas angolanos

Sindicato diz que há médicos especialistas angolanos

A ministra falou, na Segunda-feira, da necessidade de os médicos angolanos progredirem na carreira com a especialização, daí a necessidade da vinda dos médicos cubanos. “Nós queremos médicos especialistas e não generalistas. Por essa razão, o Governo está comprometido na formação de quadros. Vamos continuar a formar para, gradualmente, reduzirmos esta dependência de especialistas para darem formação e assistência”, recorda-se.

Sobre este assunto, o presidente do SINMEA, Adriano Manuel, disse que Angola tem muitos médicos especializados, tendo exemplificado que quem forma pediatras em Angola são médicos angolanos; quem forma os cirurgiões nos hospitais Américo Boavida e Maria Pia são angolanos; quem forma os médicos em ginecologia e obstetrícia no Hospital Lucrécia Paim são angolanos.

“O Estado vai continuar a gastar dinheiro mandando vir especialistas cubanos, há hospitais que têm médicos cubanos e não estão a formar ninguém. Vêm, recebem o dinheiro, vão e depois vem mais outro. No Hospital do Uíge, por exemplo, há um médico especialista em imagiologia e não está a formar ninguém”, disse.

O que se precisa, segundo o entrevistado, “são médicos de especialidades que não temos e que não vieram neste grupo de médicos cubanos, como cardiologistas e médicos de cuidados intensivos, por exemplo”. Há províncias que não tem cardiologistas, quando a raça negra é propensa a doenças cardiovasculares. E onde estiver um cardiologista cubano tem de formar cinco angolanos, segundo Adriano.

“A Covid-19 é uma doença nova, então, não venham cá dizer que os médicos cubanos têm mais experiência que nós, porque todos os outros países estão a aprender com esta doença. Quem está a dar as formações todas sobre a Covid-19 são médicos angolanos e não cubanos. É preciso que fique claro que não somos contra a vinda dos cubanos, mas achamos que não é justo mandar vir médicos de fora e deixar no desemprego o angolanos”, defende.

O sindicato não acha justo que o Governo angolano gaste milhões a formar médicos angolanos e depois os deixe no desemprego. Precisa-se de médicos estrangeiros, segundo ele, porque “não temos médicos suficientes para o número de habitantes, mas temos de valorizar o angolano e os estrangeiros têm de formar os nacionais”.