UNITA aponta dificuldades sociais como factores do insucesso das medidas de confinamento

UNITA aponta dificuldades sociais como factores do insucesso das medidas de confinamento

O primeiro vice-presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Maurílio Luiele, apontou as dificuldades sociais que muitas famílias enfrentam como estando na base do incumprimento das normas de confinamento social estabelecidas pelas autoridades sanitárias no âmbito das medidas de prevenção e combate à Covid-19.

Segundo o parlamentar, as dificuldades em prover alimentos paras a suas famílias, além da falta de apoio das autoridades governamentais, têm forçado muitos chefes de família a descumprirem as normas de confinamento social para percorrem as ruas e mercados em busca de sustento.

O político, que falava em entrevista ao OPAÍS, disse que se houvesse, de facto, uma política realística e concreta das autoridades sanitárias com vista a prestar assistência aos mais desfavorecidos, talvez se pudesse alcançar bons níveis de cumprimento e respeito das normas e regulamentos que orientam as medidas de confinamento social.

No entanto, em virtude dessa ausência de política concreta, Maurílio Luiele considera as medidas de confinamento social como autêntico fracasso, a julgar pelo incumprimento por parte das populações, por causa das dificuldades de se sustentarem.

“É como tudo. As pessoas não têm o que comer e acabam saindo às ruas. Mas se houvesse, de facto, uma medida de apoio a essas populações, talvez poderíamos conseguir mantiver as famílias em casa”, deplorou.

Interpretação errada do decreto continua a fazer vítimas

Por outro lado, Maurílio Luiele disse que o seu partido continua a registar, com preocupação, a interpretação errada, por parte das forças de segurança e de defesa, do Decreto Presidencial que rege as medidas de confinamento social, quer no anterior estado de emergência, quer no actual contexto de calamidade pública.

Conforme explicou, a má interpretação das normas tem feito com que muitos agentes, ao invés de defenderem os cidadãos, se atirem contra, mediante recurso à força, o que termina, em muitos casos, em ferimentos e mortes.

Essa atitude, frisou, tem sido um dos elementos que mancham as acções de combate à pandemia desde que foi decretada.

“Há uma interpretação errada das normas por parte de alguns agentes. E isso tem resultado em constantes fricções entre os cidadãos e as forças da ordem. É preciso que se tome algumas mudanças urgentes”, notou.

A favor da Testagem em massa da população

No âmbito das medidas de prevenção e combate à Covid-19, o país vive, desde Março último, restrições na movimentação de pessoas e serviços, o que já forçou à prorrogação, por parte do Presidente da República, João Lourenço, por três vezes, do estado de emergência e um de calamidade.

Porém, numa fase em que o país regista um número acima dos 100 casos positivos da pandemia, que já fez igualmente 4 mortos, a UNITA, por via do primeiro vice-presidente do seu grupo parlamentar, Maurílio Luiele, insiste na necessidade da testagem em massa da população, para se ter números reais da doença e evitar-se danos maiores.

“Enquanto não se proceder com a testagem em massa da população, dificilmente vamos ter números concretos sobre a pandemia. Por isso é que importante avançarmos para esse pressuposto”, apontou o político.