Corpo do “Comandante” Pedro Vidal fica em câmara ardente na LAASP, ex-Liga Africana

A partir das 18 horas desta Sexta-feira, o corpo do Comandante do grupo carnavalesco “União 10 de Dezembro”, fica em câmara ardente na LAA SP, ex-Liga Africana, segundo informou fonte familiar

Os restos mortais de Pedro Vidal estarão em câmara ardente neste Sexta-feira, a partir das 18 horas, na LAASP, ex-Liga Africana, onde decorrerá o velório, seguindo no Sábado para o cemitério da Sant’Ana, onde repousará às 10 horas.

Antes, o corpo passa pela residência do malogrado no bairro Prenda, distrito da Maianga, para o último adeus ao “Man Vaida”, como também era chamado e conhecido naquela circunscrição, como fez saber a OPAÍS, o seu irmão mais novo Beto Vidal.

Por outro lado, o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, da classe artística, jornalistas, bem como outros cidadãos anónimos, reagiram à morte de Pedro Vidal com sentimentos de pesar e consolação à família e aos membros do União 10 de Dezembro.

“O legado e obra do comandante Pedro Vidal foi-nos deixado pela dedicação, durante 40 anos, em torno do Carnaval, liderando o grupo União 10 de Dezembro. 14 títulos conquistados na categoria de melhor comandante, conferem a prova evidente de ser, até ao momento, o mais premiado da história do carnaval em Angola”, lê-se numa nota de condolências assinada pela ministra Adjany Costa.

Na mesma carta também se pode ler, o “Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente reconhece que a entrega de Pedro Vidal, ao romper os cânones do carnaval tradicional, mudando a sua postura, enquanto comandante, foi determinante para que o seu legado pudesse ser transmitido à nova geração de foliões, garantindo, assim, a continuidade do seu nome”.

Outras Mensagens

O oponente e “rival” de pista pelo União Mundo da Ilha, António Custódio, na sua rede social Facebook, manifestou a sua profunda consternação tendo dedicado a seguinte mensagem: “Custa acreditar mas o carnaval de Luanda perdeu um dos comandantes que muito admirava, Pedro Vidal. A vida tem vários mistérios, e o maior deles é a morte. Nunca poderemos entender o porquê de um ente amado ter que partir. A dor que sentimos é imensurável.

Nestas horas não há nenhuma palavra que possa ser dita que seja capaz de confortar os nossos corações. Tudo parece perder o sentido e ficar pequeno diante de tamanho sofrimento. Que a terra te seja leve meu comandante e descanse em paz”.

Por sua vez, o jornalista Raimundo Salvador utilizando a mesma via, referiu que morreu um comandante da cultura popular de Luanda, o mestre, o artista Pedro Vidal, um malanjino que foi por 14 vezes considerado o melhor comandante do Carnaval de Luanda.

“Há 40 anos ligado à maior festa popular angolana, Vidal triunfou na capital à frente do União 10 de Dezembro do Bairro Prenda. Carnavalesco de fina cepa e com parcos meios, introduziu inovações na coreografia e no canto da grande festa luandense. Infelizmente, a ausência de estudos e de divulgação do elevado primor artístico de mestres da cultura popular, como o Vidal, e a disseminação de alguns preconceitos inviabiliza uma apreciação cuidada de uma produção artística que deveria ser objecto de culto e orgulho”, lamentou.

Raimundo Salvador terminou a sua reacção transmitindo um recado: “Estimado Vidal, dê um forte abraço aos grandes que já partiram como o comandante Desliza, o corneteiro Marcolino, o velho Paquete, bem como a malta dos Invejados, honrosos e gloriosos adversários da Cidrália.

Poly da Rocha e os outros jovens cá estão para perpetuar a tua obra, mostrando que a vossa dedicação não foi em vão, apesar das pedras dos inimigos da cultura popular”.

Condolências

O músico e compositor Carlos Lamartine juntou-se igualmente à onda solidária, tendo reiterado que o “Carnaval perdeu um homem, um artista de grande e incomparável valor. Deus o tenha no seu seio junto dos anjos no seu altar”.

Também o jornalista Paulino Mendes, ligado ao movimento artístico e cultural, utilizou a sua pena para caracterizar Pedro Vidal, numa altura em o mundo é abalado pela pandemia mundial da Covid-19.

“O Carnaval de Luanda perdeu um dos seus melhores comandantes, e animadores, com maior número de prémios individuais. Aquele que sabia movimentar as alas e a falange de apoio, quando esta tenta ultrapassar os 25 minutos estipulados de desfile. É aquele que tira alguns minutos para dar show no show dos foliões. Maianga e Samba (Mbondo Yambulungo) perdem um dos seus melhores filhos, o país um dos seus melhores bailarinos de Carnaval”, concluiu o jornalista.

Cidadãos de vários estratos sociais conhecidos e anónimos, utilizaram, sobretudo, as plataformas digitais, transmitindo mensagens de solidariedade e estima, pelo trabalho desenvolvido por Pedro Vidal em prol da cultura e do carnaval em particular.

O malogrado 1962-2020

Pedro Garcia Vidal é natural de Kangandala, província de Malanje. O seu nascimento data de 12 de Maio de 1962, no mesmo ano, já no mês de Novembro, fixou residência por via dos seus pais na cidade capital.

Considera-se originário da água doce e baptizado por águas salgadas. Com o União 10 de Dezembro conquistou os títulos referentes às edições Pedro Vidal (1962- 2020) de 1991, 1999, 2002 e 2006.

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