Covid-19 conta 118 casos com cinco óbito

Covid-19 conta 118 casos com cinco óbito

Silvia Lutukuta disse, em conferência de imprensa de apresentação diária do balanço sobre o ponto de situação epidemiológica no país, que os cinco novos casos positivos já estão internados no hospital de campanha na Zona Económica Especial (ZEE), em Luanda.

“Cumpre-nos informar que temos mais cinco casos positivos e um óbito. Casos positivos com idades compreendidas entre os 27 e 79 anos de idade, todos do sexo masculino”, detalhou, sublinhando que os portadores da doença são viajantes provenientes da Rússia.

Sílvia Lutukuta esclareceu que do ponto de vista epidemiológico são classificados como casos importados”.

Disse que o indivíduo que morreu tinha 78 anos e padecia de várias patologias. Antes de ser levado para o hospital de referência no tratamento da doença, ele estava internado na Clínica Multiperfil, no piso onde foram identificados outros casos positivos, na cerca sanitária dessa unidade.

“Vale também aqui informar que este indivíduo, da decorrência de terem surgido casos positivos na Clínica Multiperfil, em que foram testados os pacientes do piso em que havia casos infectados, no dia 19 testou negativo. E, como medida de saúde pública e como mandam as regras, era necessário um período de isolamento e nova testagem”, disse.

Nesta senda, a testagem foi realizada e os resultados foram conhecidos, porém, o paciente faleceu, não por complicações relacionadas com a Covid-19, mas com as suas outras doenças.

“A situação epidemiológica nas últimas 24 horas, nós temos agora 118 casos, cinco óbitos, 41 recuperados, mais um em relação ao dia anterior, e 72 casos activos, um dos quais continua a necessitar de assistência diferenciada, por ter várias co-morbilidades”, detalhou.

Do ponto de vista laboratorial, disse que se encontram em processamento 1.006 amostras, havendo registo de 118 amostras positivas e 12.477 negativos.

Mais de 400 casos suspeitos em acompanhamento

Lutukuta falou de 459 casos suspeitos a serem acompanhados, 1.162 contactos de casos positivos e suspeitos e em quarentena institucional, disse, estão 810 indivíduos.

Entretanto, 37 pessoas receberam alta de quarentena institucional, entre as quais 30 na província, uma em Cabinda e seis no Lunda-Norte.

O Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) recebeu, nas últimas 24 horas, 32 chamadas, sendo duas denúncias de violação da ética em calamidade e 30 pedidos de informação sobre a Covid- 19.

Por outra, a ministra da Saúde disse que prosseguem as acções de formação, ao nível nacional, em vigilância epidemiológica laboratorial, manuseio de casos e vários seminários que têm estado em curso nas várias províncias.

Fez saber que foi reforçada a capacidade em meios de bio-segurança com a chegada de mais um voo proveniente da China. Por outro lado, a província de Cabinda foi reforçada ontem com materiais de bio-segurança e equipamentos para o apetrechamento do hospital de campanha.

Ministra apela à não descriminação de pessoas já curadas da Covid-19

Sílvia Lutukuta disse que se tem estado a assistir uma grande discriminação contra as pessoas que foram curadas da Covid-19 e as suas próprias famílias, o que reprova e apela para a mudança de comportamento.

“Isto não pode acontecer. Nós temos que manter o respeito a todas as pessoas. Tem de haver aqui equidade e temos de respeitar os direitos de todos os cidadãos. O não à discriminação tem de ser a palavra de ordem nesta altura”, apelou.

Entre as medidas de prevenção, apontou as de protecção individual e colectiva, no sentido de se cortar a cadeia de transmissão. Por se tratar de um inimigo invisível e mortal, que tem um grande impacto social e económico e está a fazer diferença bastante negativa na vida das pessoas, advertiu que a responsabilidade de todos é o factor decisivo para se evitar dor e luto.

“Multiperfil pode se ver livre da cerca sanitária hoje

A ministra Saúde, Sílvia Lutukuta, anunciou a possibilidade de se levantar a cerca sanitária instalada na clínica Multiperfil, hoje, e que se terá de proceder à desinfecção de todas as suas áreas, havendo já toda uma estratégia preparada para que tal aconteça.

“De acordo com a palavra que deixamos aqui, após 72 horas estaríamos em condições de abrir a cerca da Multiperfil e até amanhã [hoje] já teremos todos os resultados dos exames que foram analisados e as nossas competentes equipas farão o seu trabalho de levantamento da cerca”, afirmou.

De recordar que a cerca sanitária da Clínica Multiperfil foi imposta no passado dia 30 dia Maio, depois se ter registado casos de Covid-19 nessa unidade hospitalar, envolvendo inicialmente dois cidadãos angolanos de 82 e 43 anos de idade.

Por outro lado, a porta-voz da Comissão Multissectorial para a Prevenção e o Combate à Covid-19 fez saber que já se reportou no país vários casos importados provenientes de Portugal, com 21 casos, e aproximadamente 26 casos importados da Rússia. No entanto, se essas pessoas estivessem nas suas casas, trariam problemas graves no seio comunidade.

A ministra reiterou que o diagnóstico feito em quarentena institucional garante muita segurança, porque o indivíduo fica isolado e sem contacto físico com outras pessoas. Na eventualidade de dar positivo, é logo transferido para os centros de tratamento.

“Se está a tomar as medidas que garantem melhor segurança e que ajudam a controlar, de facto, as pessoas que vêem das áreas com circulação comunitária do vírus. E é o que está a acontecer connosco”, disse.

Executivo contínua à procura das pessoas que tentaram tirar proveito ilícito do “voo da Covid-19”

A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, anunciou, ontem, em Luanda, que continuam as investigações sobre as entidades que tentaram tirar proveito do contrato que o Executivo celebrou com a companhia área Ethiopian Airlines para o transporte de produtos da Covid-19.

De recordar que ao tomar conhecimento do sucedido, o Presidente da República, João Lourenço, ordenou a suspensão do contrato com a Ethiopian Airlines e a sua substituição pela companhia nacional, bem como mandou confiscar as mercadorias transportadas a custo zero.

A ministra disse tratar-se ainda de um processo em investigação e que, como ainda não existem resultados, nada se pode divulgar.

Por outro lado, Sílvia Lutukuta descartou também a hipótese de se voltar a decretar um novo estado de emergência devido ao aumento de casos que o país tem registado nos últimos dias. Esclareceu que os números de casos registados nos últimos dias são na sua maioria importados.

Apelou às pessoas a cuidarem das cercas locais para que não haja mais propagação do vírus, sendo que a cerca de Luanda se mantém.

Ministra garante responsabilizar profissionais envolvidos na transfusão de sangue contaminado com VIH/SIDA no Cuanza-Sul

Sílvia Lutukuta garantiu que os profissionais do sector que estiverem envolvidos na transfusão de sangue contaminado com VIH a uma criança do Cuanza-Sul serão responsabilizados pelo erro médico que cometeram.

Explicou ainda que foi descoberto o erro em tempo útil para fazer o tratamento. Já se iniciou este procedimento, cumprindo os protocolos estabelecidos para a situação, tendo em conta a experiência adquirida com um caso semelhante registado em Luanda. “O caso anterior deu-nos bastante experiência em relação ao manuseio dessas situações. A criança está a cumprir os tratamentos e seguimentos apertados”, frisou.

Por outro lado, contou que a falta de anti-retrovirais é um desafio e é uma dificuldade mundial, não só de Angola, sendo que os principais mercados, que são China e a Índia, por esta altura estão com dificuldades, fruto da Covid-19.

A ministra da Saúde garantiu que, ainda assim, estão a trabalhar em conjunto com várias agências para aumentar o stock, a fim de que não falte medicamentos aos doentes, uma vez que é o VIH/SIDA uma prioridade.