“Abram alas”– cheguei!!!

“Abram alas”– cheguei!!!

Chegou sim o Comandante Pedro Vidal, o Man Vaidas para os mais próximos. Homem dos mil ofícios que se notabilizou no desporto, mas foi nas artes aonde Vidal encontra o seu poiso, com destaque para a sua intervenção no carnaval que é tão-somente a Expressão Artística Nacional de maior representatividade.

Vidal se notabilizou pelo grande poder de liderança que ostentou ao longo dos seus anos de carreira artística. A sua grande visão na forma como concebia a sua estrutura para poder competir ao lado daqueles que eram e continuam sendo as maiores referências do nosso carnaval criavam no Vidal a excitação, aonde o limite para ele era o Céu. Sim o Céu! Porque ele se auto-superava todos os dias para não só ser o melhor dos melhores, mas o diferente. Sim diferente!

Porque foi na diferença que Vidal trás a nova dinâmica para o Carnaval.

E isso ele fez com o seu 10 de Dezembro fundado em 1979 no Musseque Prenda ali na Zona do Mbondo Ya Mbulungu aonde, aliás, ganhou o gosto pelas artes, influenciado pelo meio cultural muito forte já na época, tendo mesmo integrado o União 54 o grupo de inspiração de muitos jovens, alias grupo que integrou antes da criação do seu.

Nascido em Malanje, porém é em Luanda no Musseque Prenda que Vidal forja a sua personalidade cultural.

Visioneiro como era e percebendo a existência de outros grupos mais antigos que perfilavam no carnaval luandense, como União Mundo da Ilha, Kabokomeu, Kiela, 54, só para citar estes, cujas performances eram bastantes consolidadas com coreografias consistentes, Vidal muda a estrutura e dá uma nova dinâmica na personalidade do comandante que passa a figura determinante na performance do grupo no decorrer da sua exibição. Começou então a era Vidal que durante 14 anos se notabilizou como melhor Comandante, das mais de 35 participações no desfile do carnaval com o seu grupo.

Fazer rodopios, passos em contratempo, gestos titubeantes de braços ou pernas, movimentos muitas vezes desencontrados tornavam o Vidal o homem diferente de tal montra que cada gesto tinha uma leitura perfeita e bem elaborada na coreografia quando o grupo se apresentasse.

Esta sua filosofia de criação, em pouco tempo teve resultados surpreendentes que o catapultou para a dimensão que atingiu no nosso carnaval.

O seu poder de criação era tão elevado que, rapidamente, se tornou não só uma referência viral, mas, sobretudo, uma marca até aos dias de hoje. E por esta via influenciou muitos jovens e grupos.

Seus adversários, nunca sabiam o que Vidal, enquanto Comandante, iria levar para a marginal, pois a sua capacidade de improviso e comando, era tão elevada capaz de deixar qualquer espectador e adversários expectantes.

A criação e fabrico de indumentária, elaboração das canções, alegorias e as magistrais coreografias eram essencialmente de sua autoria, e só não era o intérprete das canções porque como ele fazia questão de dizer “não tenho uma boa voz”.

As dificuldades eram normalmente superadas pela sua sapiência e a grande vontade de vencer e mesmo nos momentos difíceis nunca virou cara à luta, porque sempre acreditava que era possível.

As formações de Carnaval são na sua generalidade constituídas por familiares, amigos e /ou vizinhos e com o Vidal não foi diferente, pois no seu 10 de Dezembro encontramos os seus filhos e netos, para além dos demais que desfilam o seu perfume no grupo de adultos e das crianças (infantil).

Vidal deixa um legado que deve ser perpetuado pelas futuras gerações, pois para ele a arte era a sua vida, que de forma desapaixonada se entregou a tempo inteiro.

Maneco Vieira Dias

Presidente do Kilandukilu