ADRA defende urgente adopção de políticas públicas de emponderamento das famílias das zonas rurais

ADRA defende urgente adopção de políticas públicas de emponderamento das famílias das zonas rurais

directora da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), no Huambo, Cidália Gomes, disse, ontem, ao OPAÍS, ser necessária a criação urgente de políticas públicas concretas com vista a motivar as populações rurais a permanecerem nas suas áreas de cultivo. 

Segundo a especialista, devido às dificuldades sociais, muitas populações de zonas rurais abandonaram as suas áreas de origem para se instalarem nos bairros ao redor das cidades. Muitas destas pessoas, frisou, não têm outra experiência de sobrevivência que não a actividade a agrícola. 

Porém, nesta fase de dificuldades económicas, motivadas pela pandemia da Covid-19 e a acentuada queda do preço do barril de petróleo, muitas destas populações estão a enfrentar sérias dificuldades alimentares. 

No entanto, ante a situação, Cidália Gomes defende, para além dos programas de ajuda alimentar, a criação urgente de políticas públicas que incentivem as pessoas a se manterem nas suas zonas de origem, mediante a atribuição e desenvolvimento de programas específicos locais que possam criar sustentabilidade às famílias rurais. 

Cidália Gomes disse que a sua organização não dispõe de dados sobre a quantidade de famílias afectadas pela fome a nível do Huambo, mas denunciou a existência de grupos de pessoas que estão a abandonar as zonas agrícolas para viverem nos bairros novos à volta da cidade. 

No seu entender, mais do que prestar apoio alimentar, é fundamental haver o estabelecimento de programas de apoio às suas actividades agrícolas para que elas continuem a depender dos seus afazeres, deixando de depender de pequenas doações que, no final do dia, não garantem muito para continuarem a viver. 

“É importante haver sempre essa onda de solidariedade. Mas precisamos de empoderar as pessoas, apoiando as suas actividades para que elas, por si só, consigam sobreviver”, defendeu. 

Ainda de acordo com a directora da ADRA no Huambo, a crise afectou com maior incidência esse grupo de pessoas por estarem fora das áreas de cultivo, ao contrário dos outros segmentos sociais que dependem de outra actividades prestadoras de serviço. 

“São pessoas que estão habituadas a viver apenas do campo. E nas grandes cidades elas ficam com dificuldades para se manterem”, apontou.