As Tic’s como alternativa em tempos de Coronavírus

As Tic’s como alternativa em tempos de Coronavírus

Nos dias que correm muito se tem escrito sobre o coranavírus o conhecido de Covid- 19, o seu impacto social político, económico e financeiro nos Estados a nível dos cinco continentes. Pretendemos analisar sinteticamente a relevância das Tecnologias de Informação e Comunicação,( Tic’s) como alternativa em tempos de coronavírus.

O seu poder é tremendamente brutal quando afecta a pessoa humana enquanto ser social por natureza. Por esta razão, o modus vivendi e operandi de várias pessoas, famílias e grupos transformaram-se do dia para a noite e com ela novas formas de relacionamento foram se consolidando em tempo de confinamento. A Covid-19 é imperante e alarmante.

Assim sendo, o ser humano é chamado a adaptar-se e adoptar novas formas para poder sobreviver à tão propalada pandemia, que não respeita a ninguém, seja lá onde estiver, em que condição se encontra, classe social, lugar de nascimento ou origem.

Face a isso, alguma alternativa sempre existe, como porta de entrada ou saída, da situação em causa. Esta é, precisamente, as Tic’s. Elas oferecem ao ser humano uma oportunidade de se reinventar, a começar pelas formas de relacionamento social ou “o ser e o estar com”.

As Tic’s propiciam, no período de Pandemia da COVID-19, uma dimensão jamais experimentada pelas sociedades ditas clássicas, hoje sociedades tecnológicas. As Tic’s passaram a ossatura da vida social, ou seja do “modus vivendi e operandi” do social, político, económico, financeiro e jurídico.

Portanto, estas transformaram o ser e o estar das sociedades actuais. Com isso, o sector das Tic´s joga um papel chave na busca de soluções para a prevenção, o combate e o controlo do novo surto do coronavírus.

A inteligência artificial, os sistemas informáticos, os aplicativos informáticos nos telemóveis propiciam recursos para determinar ou detecção da epidema e dos novos casos de infeccção, assim como o seu controlo.

A utilização dos recursos tecnológicos como os robots, os drones, a media digital, incluindo as redes sociais, tem trazido uma lufada de de ar fresco no rasteamento, na prevenção e no controlo da pandemia ao nível dos Estados.

Outrossim, dada a extensão da Covid-19, tem sido um verdadeiro teste para ferramentas de big data, analysis e inteligência artificial. É assim que a OMS. em Abril, referenciou que a inteligência artificial e o big data são chave na resposta ao vírus, tendo sido capaz de controlar a expansão da pandemia.

A instalação de scanners termais nas estações de trens das principais cidades permitiu identificar as pessoas que apresentavam febre e accionar os mecanismos adequados para manter controlada a situação. Através do reconhecimento facial, o sistema de detecção de temperatura foi bastante proficiente.

Portanto, instalada esta tecnologia nas estações de autocarros, comboios, metros e aeroportos, assim como nas paragens de táxis, ajudaria as autoridades sanitárias e hospitalares no controlo e combate ao novo coronavirus. Contudo, com a Inteligência Artificial é possível prever o aumento ou o declínio de infectados numa determinada zona, de acordo com as acções sanitárias e hospitalares efectuadas. Os drones são alternativas no combate à Covid-19.

Enquanto veículos aéreos não tripulados podem, a partir de uma certa altura, controlar os movimentos das pessoas, os contactos interpessoais numa comunidade, transportar amostras médicas e demais materiais de quarentena entre o centro de controlo da epidemia (centro de quarentena para o laboratório) sem contacto humano algum, o que permite reduzir a contaminação interpessoal (entre aquele que está infectado e pessoal médico ou sanitário). Isto porque algumas situações observadas na Itália, Espanha, Reino Unido, França, China, EUA, Brasil, Russia, África do Sul, etc, os contactos entre enfermeiros, médicos e infectados deram lugar a contágios, tendo como resultado, o perecimento dos cuidadores (médicos e enfermeiros). Por exemplo, pode-se utilizar para monitorar e alertar cidadãos que andam nas ruas com ou sem máscaras no rosto, que não desinfectam as mãos, etc.

Por conseguinte, a utilização dos Robots, em tempo de coronavírus, tem sido grande aliado no combate da pandemia. Os Robots apoiam os serviços médicos, intra e extra hospitalares, no transporte e distribuição de material gastável sanitário, a desinfetar usando luz, aspirar desinfetante e vaporizador, bem como ventiladores.

Outros são equipados para o controlo da temperatura das pessoas, assim como da vigilância. Portanto, as Tic’s propiciam um conjunto de ferramentas que reúnem informações úteis para rastrear, prevenir, controlar e combater a Pandemia do coronavírus e outras endemias.

As Tecnologias, muitas vezes, antecipam o quadro epidemiológico de um país, região ou comunidade, podendo mesmo servir de alerta para um surto de doenças, alertar as autoridades sanitária e não só a tomarem medidas para a prevenção de surtos ou epidemias.

Outro aspecto não menos importante cinge-se na tomada de atenção e vigilância para conter o coronavírus. Deste modo, as Tic´s exercem um papel fundamental, quer no uso da inteligência artificial, quer dos Drones como dos Robots, que são molas impulsionadoras para a prevenção e o controlo da pandemia.

O grande exemplo vem da própria China, bem como de Singapura, Áustria, Taiwan, onde os recursos tecnológicos apoiam na mitigação, combate e controlo da Pandemia. As camaras de vídeovigilância vão permitindo determinar, em caso de cerca sanitária, que um determinado morador (a) teve ou não contacto com alguém.

Caso for infectado, as camaras poderão indicar onde terá passado e eventualmente sido contagiado, tendo em atenção os registos de movimento desta pessoa, devendo-se combinar vários factores, acima de tudo respeitar a dignidade desta pessoa em concreto.

Concomitamente, as camaras instaladas nos hospitais e centros sanitários controladas pelo sistema informático, permitem monitorar e acompanhar os pacientes que ali se encontram internados ou a receberem os cuidados médicos, o que facilita, em grande medida, o trabalho do pessoal médico e sanitário, bem como das autoridades governamentais, em termos de combate da pandemia. Tudo isso permite planificar, gerir e dar uma resposta eficaz à pandemia.

Portanto, com o uso de câmaras de vídeovigilância é possível controlar os cidadãos infectados e afectados que violam a quarentena obrigatória. Com a colecta de imagens faciais e com a ajuda de algoritmos de rastreamento facial é possível o rastreamento de cidadãos que eventualmente violaram as regras de confinamento ou cerca sanitária.

De referenciar que, com o Sistema de Geolocalização, é possível o mapeamento de casas de famílias com casos de Covid-19, tendo assim o maior controlo da Pandemia em diferentes áreas. O sistema de geolocalização pode ser usado, também, no monitoramento de zonas afectadas com a Covid-19.

Uma vez estabelecido o mapeamento das zonas em diferentes classes (zona vermelha, zona laranja e zona verde) – Se percebe que a zona vermelha refere-se a zona com um número crescente de infectados, sendo que a zona laranja refere- se a zona com um número estável e reduzido de infectados e, finalmente, a zona verde referir-se a zona sem infectados.

Por último, as Tic´s em tempos de coronavirus trouxeram uma nova forma de prestação de serviço, ou seja, do exercício da actividade laboral, o teletrabalho, cada vez mais a aumentar e passou a ser, não um regime excepcional, mas regra, impondo aos legisladores enquadra-lo.

Como alguém dizia, é uma reinvenção em tempos de Covid-19. Com as medidas de confinamento, distanciamento social e o aumento de casos de infeccção por Covid-19, as instituições, organizações e empresas encerraram as instalações (os escritórios), tendo adoptado o teletrabalho para os seus colaboradores, sendo que muitas tarefas que outrora foram exclusivamente presenciais, passaram a ser em online, ou com recursos às Tic’s.

Na verdade, o teletrabalho facilita a realização de tarefas fora dos escritórios, mantendo a produtividade e melhorando a qualidade dos colaboradores, protege-os de possíveis contágios e, com efeito, a propagação da pandemia. Outrossim, o teletrabalho inclui a utilização das tecnologias para facilitar a comunicação entre as partes, sem necessidade de estar ou manter um contacto físico, tal é o caso de reuniões, ensino/aulas, compra e venda de bens e serviços, etc.

O exemplo vem dos grandes serviços prestados pelos aplicativos informáticos nos bancos, universidades, colégios, lojas de produtos alimentares e não só. Contudo, o teletrabalho vai propiciar um novo modelo organizacional, diferente do tradicional, gerando novos desafios às organizações, instituições e empresas.

O que fica, para agora é, cada organização, instituição e empresa investir neste processo, para que, terminado o tempo da Covid-19, possam garantir o teletrabalho aos colaboradores que optarem livremente, criando condições igualitárias e justas entre os colaboradores.

Por último e não menos importante, as Tic´s devem servir de apoio para a prevenção, controlo e o combate da pandemia. Se assim não for, corre-se o risco de violação de Direitos Humanos Fundamentais, dando lugar a dignificação da violência. Outrossim, é preciso que as Tic´s em tempo de Covid-19 tenham um rosto verdadeiramente humano.

João Francisco

Docente Universitário,
Pesquisador na área do Direito Internacional Público,
Direito das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação.