Vacina contra Covid-19 do laboratório Moderna passa em teste em camundongos

Vacina contra Covid-19 do laboratório Moderna passa em teste em camundongos

Estudos anteriores sobre uma vacina para Sars – causada por vírus semelhante ao que provoca a Covid-19 – sugerem que vacinas contra este tipo de vírus podem causar o efeito indesejado de activar complicações mais graves quando a pessoa vacinada é exposta ao patógeno, especialmente em indivíduos que não produzem uma resposta imunológica forte adequada.

Cientistas têm considerado este risco como principal obstáculo para que vacinas possam ser testadas com segurança em milhares de pessoas saudáveis.

Embora os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID) e pela Moderna sejam encorajadores, os dados obtidos a partir de camundongos não são garantia sobre o que acontece em humanos após a aplicação.

A vacina está, actualmente, a ser testada em voluntários saudáveis. A Moderna disse, na Quinta-feira, que planeia que o estágio final de testes envolva 30 mil pessoas em Julho.

Na pesquisa, cujos dados foram divulgados nesta Sexta-feira, camundongos de seis semanas de idade receberam uma ou duas doses de uma variedade de tipos da vacina da Moderna, incluindo doses consideradas não muito fortes para disparar uma resposta imunológica. Os pesquisadores expuseram os ratos ao vírus na sequência.

Análises posteriores, que buscavam por sinais de aumento da força da doença, sugeriram que respostas imunológicas “subprotectoras” não causam o que é conhecido como doença respiratória agravada associada à vacina.

“Doses sub-protectoras não sujeitaram os ratos a imunopatologia agravada após a exposição”, disse Barney Graham e colegas do Centro de Pesquisa de Vacinas do NIAID na pesquisa publicada no site bioRxiv.

Outros testes também indicaram que a vacina induziu potentes respostas neutralizantes imunológicas, o tipo de resposta necessária para impedir o coronavírus de infectar as células.

A vacina também parece ter protegido contra infecção pelo coronavírus nos pulmões e focinhos dos animais sem evidência de efeitos tóxicos, escreveu a equipa.

Os cientistas escreveram que os camundongos que receberam apenas uma dose da vacina, antes de serem expostos ao vírus, sete semanas depois ficaram “completamente protegidos contra a replicação viral no pulmão”, sugerindo que uma única aplicação impediu o vírus de fazer cópias de si mesmo nos pulmões.

“À primeira vista, parece promissora na indução de protecção neutralizante de anti-corpos em ratos”, escreveu Peter Hotez, pesquisador de vacinas da Baylor College of Medicine, num email, mas não teve oportunidade de ver a pesquisa em detalhes.