Colectânea de autores angolanos inspirada no período de confinamento social será lançado em breve

Colectânea de autores angolanos inspirada no período de confinamento social será lançado em breve

A União dos Escritores Angolanos está a preparar uma colectânea de textos com as experiências familiares dos escritores angolanos registados neste período de confinamento social causado pela pandemia da Covid-19.

David Capelenguela, secretário-geral da instituição em conversa com OPAÍS, adiantou que a colecção está subdivida por dois capítulos: o I em Prosa e o II, em Poesia. O processo organizativo começou há 30 dias, estando neste momento a terminar a recepção dos textos, que posteriormente serão reencaminhados aos seus os confrades para a revisão.

Indagado quanto ao título da referida colecção, David Capelenguela referiu que ainda não chegaram a um consenso quanto ao mesmo, questão que será ultrapassada nas próximas horas.

A intenção, segundo David Capelenguela, é buscar dos seus confrades, escritos realizados nos últimos 90 dias, isto é, desde os primeiros sinais até a fase do agravamento da Covid-19, as suas experiências e convivência com os filhos; com esposas ou esposos, que valores adicionais deram a importância da família;

A importância e sentido da vida, que aperfeiçoamentos tiveram com o olhar e manutenção de pequenos artigos de casa, como partilhavam tarefas nesta fase, entre outros aspectos.

De entre vários escritores selecionados destacam-se Maria Celestina Fernandes, Cremilda de Lima, Amélia da Lomba, Yola Castro, Sónia Gomes, Ngonguita Diogo, Kanguimbo Ananás e Rosária da Silva.

Da longa lista constam ainda nomes de escritores como Akiz Neto, Jacques dos Santos, Luís Rosa Lopes, Gociante Patissa, Abreu Paxe, Kudjimbi, Nguimba Ngola, Pombal Maria, Timótio Ulika, Ismael Mateus, Carmo Neto, Décio Bettencourt Mateus, Jhon Bella, Izaquiel Cori e tantos outros.

Alguns autores da referida colectânea

Maria Celestina Fernandes

Nasceu no Lubango, província da Huíla, para onde o seu pai, funcionário público, havia sido transferido. Ainda muito jovem foi para Luanda, e nesta cidade cresceu e fez toda a sua formação. É Assistente Social e licenciada em Direito. Dentre as várias funções que exerceu, destaca-se o serviço prestado no Banco Nacional de Angola, onde chefiou o departamento social, tendo passado posteriormente para a área jurídica, aposentando-se na categoria de subdiretora. Iniciou a carreira literária no início da década de oitenta.

É autora de uma vasta obra, com estaque para a literatura infantojuvenil e tem obras premiadas e algumas traduzidas para outros idiomas.

Yola Castro

Jornalista e professora de literatura infantil no Complexo Escolar Dom Bosco, Yola Castro tem publicadas seis obras, entre as quais “A borboleta colorida e a linda joaninha (prémio literário 16 de Junho, INALD-2003), “Colectânea do conto infantil e Vuvukyetu”.

Amélia da Lomba

Amélia Da Lomba, nasceu em Cabinda, a 23 de Novembro de 1961. Estudou em Cabinda e concluiu o bacharelato em Moscovo, Rússia, na especialidade de Psicologia. Foi jornalista da Emissora Provincial de Cabinda, da Rádio Nacional de Angola e do Jornal (A Célula) em Luanda, e trabalhou em São Tomé e Príncipe, como a Secretária da Missão Internacionalista Angolana.

Ngonguita Diogo

Pseudónimo literário de Etelvina da Conceição Alfredo Diogo, é natural do Cuanza-Norte. Tem sete livros publicados e um CD de poemas musicalizados. Foi a única representante do continente africano na VIII Jornada Internacional de Mulheres Escritoras em São José do Rio Preto, Brasil, em 2015.

É membro da Academia de Letras do Brasil Diplomada Imortal em 2015; em 2016 foi diplomada ao “Grau Doutora em Filosofia Univérsica, Honoris Causa, CD 1 em Angola” pela mesma Academia; em 2017 ficou em segundo lugar no concurso de poesias – Elos Internacional com o poema “No Miradouro do Elos”.

Em 2018, a escritora recebeu o Título de Comendadora da Ordem dos Benfeitores Culturais da Humanidade e o Prémio Caneta de Ouro 2018, pela Federação Brasileira dos Académico das Ciências, Letras e Artes, bem como o Diploma de Mérito Cultural; é Membro da União dos Escritores Angolanos; da Liga Africana e do Movimento Lev’Arte Angola.

Abreu Paxe

Nascido em 1969 no vale do Loge, município do Bembe província do Uíge, licenciou-se no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), em Luanda, na especialidade de Língua Portuguesa.

É membro da União dos Escritores Angolanos (UEA) e venceu o concurso “Um Poema para África” em 2000. Desde tenra idade desenvolveu o gosto pela literatura, começando por ler livros de literatura infantil.

Iniciou a sua carreira como escritor com aproximadamente 12 anos, quand participar num concurso literário que surgiu na escola. A sua participação teve como principal objectivo de estimular e cultivar o gosto pela literatura nos seus colegas.

Abreu Paxe escolheu elegeu a poesia em detrimento da prosa, por considerar a poesia mais livre e mais aberta que a prosa.

Nguima Ngola

Isalino Nguimba da Cruz Augusto “Ras Nguimba Ngola” nasceu a 27 de Dezembro de 1976, no município dos Dembos, província do Bengo. Do seu reportório constam duas obras publicadas: “Mátria” em 2009, pela Arte Viva, Edições e Eventos Culturais e “E lá fora os cães” em 2014, pelo Grecima.

Ras Nguimba Ngola é membro do Movimento Lev’Arte, da Brigada Jovem de Literatura de Angola (BJLA), do Clube Nacional de Poetas e Trovadores e Associação do Movimento da Ordem Rastafari em Angola (AMORA).

Ismael Mateus

Ismael Mateus, nasceu em Luanda a 6 de Julho de 1963. É membro fundador do Sindicato de Jornalistas (UJA), de que foi Secretário-geral. “A intenção cultural é um impulso que se caracteriza por um apelo à curiosidade intelectual, á crítica e à integração do sujeito, á objectividade .