Carta do leitor: O estado de calamidade e as cercas sanitárias

Carta do leitor: O estado de calamidade e as cercas sanitárias

Por: Abner Emanuel

Prezado director,

Agradeço a oportunidade que me é concedida.

Sou residente do bairro Hoji Ya Henda, propriamente nas proximidades da rua em que vive o cidadão da Guiné-Conacri conhecido como “caso 31”, e também identificados como casos de transmissão local do novo Coronavírus no bairro.

Segundo informações oficiais, estão controladas cerca de três mil pessoas, tendo sido 90 levadas inicialmente para quarentena institucional. Embora até agora já terem anunciado mais casos positivos saídos da cerca sanitária do nosso Hoji Ya Henda.

Infelizmente, a coisa está a ficar feia e muitos compatriotas ainda estão a ignorar o perigo deste vírus. É visível e já não se esconde a forma irresponsável de muitos moradores da cerca sanitária e os que residem nos arredores.

Vê-se muitos moradores juntos e bem à vontade como se nada estivesse a acontecer, ignorando mesmo as regras de distanciamento. Até já vimos diversão entre eles.

Igualmente acontece com os moradores à volta, as casas de bebida estão sempre cheias e mais uma vez, não acatam com as medidas e estão à mercê do perigo de contágio nestes locais.

Até porque as casas que comercializam bebidas alcoólicas, que facilitam este mal; as lanchonetes e casas da tia A ou B, não tomam medidas preventivas.

Agora me pergunto: o que, afinal, será de nós, o povo inocente? Arcar com as consequências, certamente. Porque a informação rola de segundo a segundo em todos meios possíveis de comunicação.

Até já passaram pessoas com megafones para informar do perigo do vírus nas nossas ruas. E para não deixar de lado que embora as forças de defesa e segurança estarem lá permanentemente, mas o que me parece é haver uma dança de rato e gato.

Onde os moradores ou munícipes nas pequenas brechas ou oportunidade que lhes é dada é o suficiente para usar e abusar. É caso para dizer que só mesmo Deus na causa!

A vida por esta zona era feita com normalidade, agora, todo cuidado é pouco, afinal, o vírus não tem rosto na hora do contágio. É tanta tristeza que prefiro acreditar em dias melhores.