Engenheiro apresenta alternativas para redução de acidentes e melhoria do tráfego em Luanda

Engenheiro apresenta alternativas para redução de acidentes e melhoria do tráfego em Luanda

Olívio Sacaia explicou que o que qualquer motorista procura no princípio e fim de uma viagem no casco urbano da cidade de Luanda é um lugar para estacionar a viatura. E, em regra, perde-se entre 30 minutos a 1 hora para encontrar um lugar para estacionar.

Entretanto, disse que nos dias de hoje é contraproducente falar de mobilidade urbana sem ter em conta a questão do estacionamento, pelo facto de estar intimamente ligado à política de transportes.

Explicou que com o crescente êxodo do meio rural para o urbano, bem como com a construção de edifícios altíssimos em locais onde existiam vivendas, sem lugares suficientes para o estacionamento das viaturas dos utentes, fizeram com que a disponibilidade de espaço urbano seja cada vez menor, pois que, a gestão do estacionamento inclui duração máxima, oferta, preço, entre outros.

“Do ponto de vista de engenharia civil, construir um parque subterrâneo custa o dobro do valor se fosse elevado, as inclinações em parques subterrâneos ou aéreos não devem ser superiores a 15% e o pavimento em material antiderrapante”, afirmou o engenheiro civil.

Para se entender melhor, explicou o tipo, procura e oferta de estacionamento que se pode adoptar. O estacionamento pode ser longitudinais (2,5×5,0) metros ou oblíquo (perpendicular ou de 30, 45, 60 graus 2,25m x 4,70 m), público ou privado.

Entretanto, Sacaia citou Flaherty (1986), conclui que as pessoas demoram menos, 5/10 minutos, no multicaixa, comprar jornal, menos 3/30 minutos para pagar energia, água, entrega encomendas menos de 30/60 minutos para compras rápidas em lojas, almoços, jantares.

Faz-se igualmente menos de 1 a 2 horas em consultas médicas, reuniões e lazer, menos de 2 a 4 horas em compras, reuniões, teatro, cinemas, praias, menos de 4 a 8 horas no serviço ou em turismo e 8 horas em casa, trabalhadores e estudantes nocturnos.

“Com base no acima referido, podemos afirmar que o preço do estacionamento influencia no uso dos parques e, temos aí bases para dimensionar parques de estacionamento”, afirmou.

Olívio Sacaia afirmou que com este processo feito, o congestionamento nos principais eixos rodoviários de Luanda (Av. Fidel castro Ruz, Via de acesso aos Zangos 1,2,3,4 e 5, Pedro de Castro Van- Dunem Loy, Estrada da Samba, Avenida 21 de Janeiro, Estrada de Catete, Estrada Direita de Cacuaco, Avenida Ngola Kiluanje) teria reduzido consideravelmente e a cidade de todos nós ganharia.

Redução de acidentes

Por outro lado, se registaria a redução da probabilidade de ocorrência de acidentes que resultassem em atropelamentos e/ou perda de vidas humanas, bem como a chegada atempada aos locais de serviço, estudo, e outros compromissos individuais e colectivos.

Igualmente se registaria a redução da emissão de gases provenientes dos escapes das viaturas que poluem a atmosfera destruindo a camada de ozono, a poupança de valores que os cidadãos despendem com os táxis de casa para os locais de seu interesse.

“Também teríamos maior arrecadação de receitas por parte das empresas e do Estado mediante imposto previsto em legislação apropriada”, disse.

Olívio Sacaia salientou que em Luanda, entre os locais críticos para encontrar estacionamento na baixa da cidade, está o Talatona (cidade) e Vila de Viana (área urbana).

Entretanto, contou que o período em que a procura por um lugar para estacionar é elevadíssima varia entre às 7 e 16 horas, de Segunda a Sexta-feira, e das 8 às 12 horas aos Sábados.

Deste modo, para as zonas urbanas aconselha o uso do transporte colectivo em detrimento do transporte individual, por representar vantagens económicas para quem governa e o governado (diminui a ocorrência de acidentes entre veículos, atropelamentos, emissão de gases dos escapes que destroem a camada de ozono, poupam combustíveis, lubrificantes e desgaste dos pneus).

Melhoria da mobilidade urbana

Olívio Sacaia exemplificou que para este caso, a TCUL, MACON, entre outros que em relação aos azuis e brancos, um único autocarro tem 50 lugares e substituiria cerca de seis táxis azuis na via pública, sendo que cada um leva apenas nove pessoas em regras.

“Se este autocarro tiver uma frequência de 15 em 15 minutos nas distintas paragens da capital, em uma hora seriam substituídos 24 hiaces azuis e brancos, o que representa uma vantagem muito grande no congestionamento dos principais eixos rodoviários da cidade, tendo em conta o desrespeito das regras do Código da Estrada verificados em muitos dos condutores (taxistas)”, explicou.

Por outro lado, salientou o mesmo exercício para viaturas de citadinos vindos de Viana, Zango, Cacuaco, Talatona, Benfica, Zona Verde, Kilamba e Camama. “Sabendo que o serviço de transporte é eficiente e sistemático com frequências acima referida (15 em 15 minutos e ou mais autocarros de distintas operadoras) retiraríamos cerca de 50 viaturas individuais de distintas marcas”.

Entretanto, realçou que apesar disso, um segmento não menos importante a ter em conta na gestão do estacionamento em Luanda são os taxistas e moto-taxistas. Embora este serviço não ter sido aprovado e autorizado, é dos mais usados nos bairros, ali onde o azul e branco não chega.

“Pensamos que as autoridades deverão continuar a trabalhar no sentido da definição exacta dos locais reservados para o estacionamento deste grupo, que devidamente organizados muito fazem para tornar possível a mobilidade de estudantes, trabalhadores, comerciantes, público em geral”, disse.

Criação de fonte alternativa de receitas para o Estado

No entanto, Olívio Sacaia propõem algumas melhorias como a privatização da exploração dos parques públicos, em substituição dos jovens e adolescentes de e na rua, que ficam com a receita que seria destinada à Conta Única do Tesouro (CUT).

A aplicação rigorosa de bloqueadores em substituição do reboque, bem como, garantir o pagamento de taxas mínimas no local da infracção através de dispositivos electrónicos.

Transformar os lotes de terrenos baldios em parques de estacionamento, enquanto os proprietários não derem o uso definitivo, cuja repartição do valor arrecadado seria feito em percentagem a definir entre o enteprivado e a respectiva administração local, bem como, garantir higiene, segurança e manutenção.

Em seu entender, o Instituto de Planeamento e Gestão Urbana de Luanda (IPGUL), áreas técnicas das administrações municipais e Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, deveriam tornar obrigatório na fase do licenciamento de qualquer obra, a garantia da capacidade de absorver 60 a 80 por cento da capacidade do equipamento público ou privado a ser construído.

Contou que tal pode ser feito em empreendimentos como hotéis, discotecas, cinemas, restaurantes, universidades, clínicas e hospitais, estabelecimentos comerciais, igrejas, prédios, condomínios, em termos de estacionamento.

Por outra, não perder de vista que, as pessoas não estão dispostas a percorrer mais de 300 metros do estacionamento até ao seu destino.