Covid-19 fura cerca de Luanda e chega ao Cuanza-Norte com três casos

Covid-19 fura cerca de Luanda e chega ao Cuanza-Norte com três casos

Dois cidadãos estrangeiros e um nacional são apontados como tendo furado a cerca sanitária de Luanda e levado o novo Coronavírus à província do Cuanza-Norte, segundo Franco Mufinda. 

“Acabamos de receber uma informação de última hora do surgimento dos três primeiros casos fora da província de Luanda. Estamos a falar da província do Cuanza- Norte, onde houve a notificação laboratorial de três casos”, frisou, em declarações à imprensa, na habitual apresentação diária do balanço da situação epidemiológica no país. 

Acrescentou de seguida que são “dois de cidadãos oeste-africanos e um angolano. Todos eles do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 34 e os 58 anos”. 

Entretanto, contou que os três cidadãos que furaram a cerca sanitária imposta na província de Luanda elevaram para 148 o total de casos registados no país até ao momento. 

O secretário de Estado disse que em relação à província do Cuanza- Norte, está a ser preparada uma equipa multidisciplinar para fazer o acompanhamento no que toca a gestão de casos e, sobretudo a vigilância epidemiológica. 

Por outro lado, Franco Mufinda disse que este processo carece do estabelecimento de um estudo de vínculo epidemiológico e o mesmo já começou e será complementado pela presença da equipa multidisciplinar para o acompanhamento da gestão de casos que integra técnicos seniores do Ministério da Saúde. 

Informou também que dos três doentes do Cuanza-Norte, um inspira cuidados, por apresentar co-morbilidades, sendo que uma é sonante e ligada a doença pulmonar de base. 

Por outro lado, Franco Mufinda explicou que, para além dos casos acima mencionados, há outros três, de indivíduos que se encontram na cerca sanitária do Hoji ya Henda, no município do Cazenga. 

Disse que se trata de casos de transmissão local que envolvem cidadãos nacionais com idades compreendidas entre os 17 e os 21 anos de idade, dois do sexo masculino e feminino. 

Com o surgimento dos seis novos, a estatística indica 148 casos, dos quais, seis resultaram em morte, 64 recuperados e 78 casos activos clinicamente estáveis nas unidades sanitárias de referência. 

Por outro lado, o quadro epidemiológico indica 69 casos importados e 83 de contaminação local. 

Processadas 451 amostras em 24 horas  

O secretário de Estado para a Saúde Pública disse ainda que o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) recebeu 57 chamadas, todas para pedidos de informação sobre a Covid-19. 

Por outro lado, disse que, nas últimas 24 horas, os laboratórios processaram 451 amostras, sendo seis positivas e 448 negativas. 

“As amostras recebidas até agora são 15. 183, sendo 148 positivas, 14.433 negativas e 605 encontram- se em processamento”, avançou. Disse ainda que 485 pessoas se encontram em quarentena institucional em todo o país, enquanto, nas últimas 24 horas, 16 pessoas receberam alta, sendo 14 na província de Luanda e Cabinda e Moxico com uma, cada. 

O governante disse ainda que os casos suspeitos investigados são 460, enquanto os contactos sob investigação chegam a 1.244 casos. 

Rússia lidera a percentagem de casos importados

De acordo com o secretário de Estado para a Saúde Pública, sobre a análise epidemiológica comparando origens, a transmissão local tem actualmente 83 casos acumulados, dos 148, sendo que o peso maior dos casos importados vai para a Rússia, com 53 por cento. 

A seguir vem Portugal, com 38 por cento e os 9 por cento restantes são divididos entre a Espanha, África do Sul, Cuba, Brasil e França. Há ainda um caso que provavelmente teria tido trajectos pela Holanda e Estados Unidos da América. 

Entre as actividades realizadas por províncias, destacou as do Bié, Cabinda, Cunene, Huambo e Uíge, onde se capacitou técnicos e se organizou palestras de sensibilização para as medidas de prevenção da Covid-19. Houve ainda educação, comunicação e informação no seio das comunidades, bem como a recepção de material de bio-segurança e a sua distribuição por unidades sanitárias. 

Por outro lado, Franco Mufinda disse que continuam as actividades da Comissão Multissectorial de forma intensa e apelou à calma. 

Entre as medidas de prevenção, Franco Mufinda recomendou o uso da máscara, a lavagem das mãos com frequência com água e sabão e observar o distanciamento físico e o acatamento das medidas contidas no decreto sobre a calamidade pública. 

De recordar que o novo Coronavírus (SARS-CoV-2) é responsável pela pandemia da Covid-19 e surgiu na China em Dezembro de 2019. O surto espalhou-se pelo mundo e já vitimou meio milhão de pessoas, tendo levado a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia global. 

Jornalistas testam pela segunda vez a Covid-19

Mais de 40 profissionais de diversos órgãos de comunicação social destacados na cobertura diária do ponto de situação sobre a pandemia no país foram obrigados a testar de novo, ontem, devido ao resultado do rastreio no Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM). 

Os jornalistas, que recentemente fizeram o teste e tiveram resultado negativo, foram obrigados a repetir a análise, como resultado do facto de um dos efectivos da Polícia Nacional destacados no CIAM ter testado positivo à Covid-19. Os profissionais da comunicação social a fizerem o teste de reconfirmação ontem, no Hospital Américo Boavida. 

Em entrevista a OPAÍS, o jornalista da Rádio Eclésia Hélder Luandino disse sentir-se feliz por repetir o teste, uma vez que o teste servirá apenas para reconfirmar o seu exame que deu negativo na primeira vez. 

Já o jornalista Nambi Wanderley, do Portal Notícias de Angola, disse que, apesar de saber que está bem, o segundo teste servirá para mostrar à família, que não deixou de lhe ligar desde o último anúncio da ministra em conferência de imprensa, que está bem e tem cumprindo todas as medidas de prevenção.