Juventude preocupada com a situação socio-económica do país ante a pandemia da Covid-19

Juventude preocupada com a situação socio-económica do país ante a pandemia da Covid-19

Os líderes das organizações juvenis de partidos políticos na Oposição com assento parlamentar, nomeadamente a JURA, a JPA, a JURS e a JFNLA, e ainda jovens do MEA (Movimento dos Estudantes Angolanos) realizaram, ontem, em Luanda, uma conferência de imprensa em que apresentaram um balanço sobre o momento que o país atravessa devido à pandemia do novo Coronavírus, o seu impacto na vida dos jovens e avaliaram aspectos da política do Estado para a juventude.

Os líderes juvenis mostraram-se preocupados com a forma como o Governo de Angola tem estado a gerir a pandemia. Consideram que a entrada no país de cidadãos cuja quarentena foi observada apenas após terem infectado outros leva à percepção de poder haver casos ocultos e que os números que são apresentados diariamente estejam aquém da realidade.

Por esta razão, os jovens defendem a necessidade de se efectuar testes comunitários para se aferir a real situação epidemiológica do país.

Apelam ao Executivo Angolano, não obstante a Covid-19, a dar maior atenção às doenças tropicais que mais mortes provocam no país, com ênfase para a malária e a tuberculose.

“O silêncio das autoridades parece-nos um sinal de algum desinteresse, quando se canalizam milhões de kwanzas apenas para o combate à Covid-19, esquecendo- se de outras doenças mais antigas que continuam a ceifar vidas no nosso país”, referem.

Os jovens alegam estarem também preocupados com os excessos da Polícia Nacional, que, no uso desproporcional da força, têm causado mais mortes do que a Covid-19, alegando que as medidas que são aplicadas aos autores destes crimes são desconhecidas.

Mostraram-se ainda preocupados com os despedimentos em massa de jovens, sob pretexto da incapacidade das empresas suportarem os custos com o pessoal, numa altura em que consideram que as políticas do Estado para a juventude fracassaram.

“Os quinhentos mil empregos prometidos pelo Presidente da República, João Lourenço, não passaram de mera estratégia eleitoral.

Estamos há quase três anos de vigência do seu mandato e não se vislumbra nada, tudo não passou de uma miragem. Hoje, os poucos empregos que havia foram perdidos”, salientaram.

Avançaram que o Executivo não tem uma estatística fiável de quantos empregos são perdidos por dia, semana e por mês, nesta fase, para com base nestes indicadores estabelecer políticas concretas de intervenção que visem encontrar soluções.