Carta do leitor: O CIAM não é a única sala

Carta do leitor: O CIAM não é a única sala

Por: Manfuíla A. Isabel
Malanje

Ilustre director do jornal O PAÍS, obrigado pela oportunidade que me dá nesta edição de Quarta-feira, supostamente o dia mais produtivo da semana.

Respeito o esforço que tem sido feito pela Comissão Interministerial no combate e prevenção da Covid-19 em Angola, pandemia que continua a colocar os humanos de joelhos.

Mas, determinados aspectos e organizacionais deixam-me indignados, porque, se houver mais racionalidade pôde-se atingir a excelência no que concerne à liberdade de imprensa e outros direitos fundamentais.

A Covid-19 é um facto. Respeitemos e temos que saber como lidar com o fenómeno, mas o argumento usado pela organização em reduzir o grosso de jornalistas na sala sob pena de contágio não colhe. Um agente está infectado.

Admite- se. No entanto, acho que há salas maiores para realizar a conferência de imprensa nos termos em que se pretende, evitar o contágio.

Agora, vetar a entrada de órgãos de comunicação social e deixar outros na sala do Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM), na baixa, não é possível.

Dizia um meu antigo professor nas provas orais, na faculdade, quando um colega estivesse a enrolar: “meu filho, já comi muita palha, mas, esta que me estás a dar não gostei”.

É uma autêntica violação à liberdade de imprensa, porque a Lei de Imprensa diz que todos os órgãos têm os mesmos direitos. Aliás, há anfiteatros, maiores do que o do CIAM, que neste momento estão inoperantes e podem muito bem acudir esta situação e evitar o argumento de que a sala do Ministério da Saúde é pequena.

Como exemplo, a antiga Assembleia Nacional (AN), se houver vontade política, pode quebrar este galho. É grande e cabem todos os jornalistas. Começo a ter pena da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.

Começou por fazer um bom trabalho, mas fico com a sensação de que esteja a ser pressionada, embora respeite sempre o perigo do vírus invisível.

Às vezes trabalhar com gente que não tem sensibilidade para encarar a verdade é um caos, pois coloca os pombos na lama e exalta os corvos.

À liberdade de imprensa é um direito fundamental, por isso não deve ser coarctada por nada no nosso ordenamento jurídico angolano.

Nas outras paragens, onde o vírus, respeitando as vidas humanas que partiram, fez mais estragos, os jornalistas iam para as conferências sem restrições.

Em Luanda, insisto, o CIAM não é a única sala, espero que os que tomam decisões no país sejam mais sensíveis, porque é importante haver informação diversificada e mais plural.