Covid-19 com 11 novos casos e um óbito no Cuanza-Norte

Nas últimas 24 horas, o quadro epidemiológico do país registou mais 11 novos casos positivos de Covid-19, dos quais cinco são da cerca sanitária da Clínica Multiperfil e cinco do Hoji ya Henda, elevando a cifra para 166 casos. Entretanto, mais um óbito foi registado, perfazendo, assim, um total de oito, revelou, ontem, a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta

Sílvia Lutukuta, que falava na habitual sessão de actualização dos dados sobre a pandemia no país, esclareceu que entre os infectados encontra-se uma criança de três meses de vida, residente no município de Viana.

Explicou que a criança de três meses de vida deu entrada no banco de urgência do Hospital Pediátrico em estado grave e foi encaminhada para uma área específica para atendimento de síndromes respiratórios agudas graves e agravamento de doença respiratória.

Foi neste contexto que foi detectada, de acordo com o protocolo que estão a seguir. “Nós estamos a seguir o Protocolo Internacional de Rastreio das síndromes respiratórias agudas graves ou agravamentos e a esta criança foi feita a colheita de amostra no dia 14, tal como a outras que estavam nessa área específica”, contou.

Segundo a ministra da Saúde, as autoridades obtiveram o resultado da criança ontem e desencadearam de imediato o processo de internamento e as medidas de saúde pública para o isolamento de outras crianças e seus acompanhantes, bem como a desinfecção da área.

Fez saber que a equipa de saúde pública, quer no local, quer na área de residência, continua a avaliar os contactos dessa criança e sua família.

Sílvia Lutukuta apelou à calma dos munícipes que todos os dias vão ao Hospital Pediátrico, garantindo que medidas de biossegurança e de saúde pública estão a ser tomadas para cortar a cadeia de transmissão.

A governante disse ainda está a ser dada uma tenção especial também aos profissionais de saúde que trabalham nessa área específica.

Por outro lado, referiu que as idades dos contagiados variam de três meses a 61 anos de idade, sendo dois do sexo feminino e nove do sexo masculino.

Entretanto, cinco estão relacionados com a cerca sanitária da Clínica Multiperfil.

Trata-se de vários profissionais da saúde como técnicos de manutenção, motoristas, farmacêuticos e médica e um caso relacionado com a cerca sanitária do Hoji ya Henda.

Registo de morte deu-se no Hospital Militar

Em relação ao óbito, Sílvia Lutukuta explicou tratar-se de um cidadão de 61 anos de idade que foi evacuado da província do Cuanza- Norte com síndrome respiratório crónico agravado e que tinha de base uma doença grave pulmonar infecciosa e diabetes.

Chegou ao banco de urgência do Hospital Militar já em estado crítico, bastante debilitado e acabou por morrer em pouco tempo. “Cumprindo o protocolo, nestes casos também tivemos que colher a amostra e obtivemos o resultado positivo.

Neste contexto, o seu funeral e outras medidas serão tomadas de acordo com o que está estipulado para situações desta natureza”, frisou.

Acrescentou de seguida que “já estão em curso as medidas de saúde pública para o rastreio de contactos e isolamento dos contactos directos”.

A ministra da Saúde esclareceu que o malogrado é um dos três pacientes infectados do Cuanza-Norte, que furaram a cerca sanitária de Luanda depois de terem sido contaminados pelo novo Coronavírus no bairro Hoji-ya-Henda, no Cazenga.

A titular da pasta revelou que, em relação aos casos do Cuanza- Norte, já foram identificados e isolados 39 contactos e continuam a tomar as medidas de saúde pública com reforço da equipa especializada do órgão central e de especialistas locais.

Por outro lado, anunciou que já foram testadas as 53 pessoas que se encontram no condomínio Olíva, no bairro Sapú, município de Viana, cuja cerca será levantada hoje, pelo facto de os resultados serem negativos.

Em relação à cerca sanitária da Clínica Multiperfil, a mesma deverá durar por mais algum tempo, pois continuam os trabalhos e se prevê a sua conclusão o mais rápido possível.

Tolerância zero aos prevaricadores

Sílvia Lutukuta anunciou que haverá tolerância zero aos prevaricadores que furarem as cercas sanitárias de Luanda e os que não cumprirem as medidas que estão orientadas nas cercas sanitárias ou nos isolamentos.

Assim sendo, a estatística das últimas 24 horas indica um total de 166 casos, dos quais 163 de Luanda e três da província do Cuanza-Norte. Por outro lado, regista oito óbitos e 64 recuperados.

A governante explicou que só poderá ocorrer o alastramento do vírus se os cidadãos não cumprirem as medidas de protecção individual e colectiva, saindo das áreas consideradas como epicêntricos da Covid, que neste momento é Luanda, furando a cerca para viajar para outras províncias.

Disse ainda que 499 pessoas observam a quarentena institucional em todo o país, enquanto os contactos sob vigilância são 1.244 e 460 são casos suspeitos em investigação.

“Cercados” do Hoji ya Henda apedrejam técnicos da comissão de combate à Covid-19

Uma equipa técnica constituída por especialistas do laboratório de saúde pública e efectivos da Polícia Nacional foi apedrejada, ontem, por moradores do bairro Hoji ya Henda, quando tentavam fazer a colheita de amostra de dois deles que necessitam de repetir o exame que permite aferir se estão ou não infectados com o novo Coronavírus.

Os técnicos tentaram várias vezes, mas sem sucesso. Nem conversando com eles deixaram fazer essas colheitas. A ministra da Saúde garantiu que já têm os resultados dos testes das 3.549 pessoas que estão privadas da liberdade de circulação por residirem na zona onde foi instalada a cerca do Hoji ya Henda.

Dentre eles, apenas os resultados de dois são inconclusivos, pelo que, os técnicos tiveram de regressar ontem ao local para repetir a colheita de amostras.

Neste momento, os resultados dos exames de 3.547 pessoas são conclusivos. De forma pedagógica, Sílvia Lutukuta apelou aos moradores desta cerca sanitária a colaborarem.

“Portanto, sem essas duas colheitas feitas e com resultados, não poderá ser levantada a cerca sanitária. Queremos já passar essa mensagem.

Estas duas pessoas também são contactos de casos positivos que foram diagnosticados recentemente”, explicou.

Doentes da Covid-19 e da junta Médica em Portugal e África do Sul continuam a receber apoio

A garantia é da ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, que disse que o Governo, quer por via da Junta Nacional de Saúde, diplomática ou quer por via da Comissão Multissectorial, tem prestado apoio fundamental e necessário a todos os angolanos que estão no estrangeiro, em particular aqueles que estão em junta tanto em Portugal e na África do Sul.

“No âmbito dos recursos que foram disponibilizados para o combate à Covid-19, mesmo antes de nós termos casos, aos nossos doentes foi alocada uma verba considerável, ao sector da saúde em Portugal e na África do Sul”, frisou.

Por outro lado, reconheceu que se registou alguns atrasos nos pagamentos, cujo tratamento também está em curso pelo Ministério das Finanças.

“Temos acompanhado a situação dos nossos doentes e não podemos, de forma alguma, dizer ou generalizar que os doentes estão sem tratamento”, afirmou.

Neste particular, lembrou que os doentes afectados pela Covid- 19 estão a ser tratados e, nesse aspecto, o Governo Português tem dado um apoio fundamental.

Em relação aos cidadãos em trânsito no Cunene que pretendem regressar às suas províncias, disse que terão o tratamento adequado e voltarão em breve.

Sobre a utilização do fármaco Dexamethasone no combate ao novo Coronavírus, explicou que é um medicamento muito usado, considerado bom estabilizador de membranas e antiinflamatório, mas tem alguns efeitos colaterais.

No entanto, quando for necessário também Angola poderá usar.

Repatriamento pode começar amanhã

“Por termos cidadãos fora, o processo de repatriamento há se começar em breve, provavelmente no final desta semana. Vamos começar já a repatriar as pessoas de países vizinhos, numa primeira fase”, anunciou a ministra.

A também porta-voz da Comissão Multissectorial para o Combate à Covid-19 esclareceu que continua a cerca sanitária nacional e que as medidas do decreto de calamidade prevê a realização de voos somente para atender situações humanitárias e não voos para passeio ou visita a familiares.

Advertiu que os voos serão fundamentalmente para repatriamento de cidadãos, quer de Angola para países onde as pessoas queiram ir, quer de outros países para Angola.

Esclareceu ainda que, de momento, os voos comerciais estão fora de questão e o processo de repatriamento ocorrerá mediante as condições e capacidade dos centros de quarentena.

Ministérios da Saúde e da Educação trabalham em conjunto

Sílvia Lutukuta fez saber que o Ministério da Saúde está a trabalhar com o Ministério da Educação para formação dos profissionais da educação em medidas básicas de bio-segurança para ensinarem todos os meninos da escola a usarem a máscara e a lavarem as mãos com água e sabão.

“Porque acreditamos que não é possível ter álcool gel em todo o lado, mas é tudo um processo”, frisou. Entretanto, apelou a medidas de protecção individual e colectiva para cortar a cadeia de transmissão, uma vez que o vírus da Covid-19 já chegou no Cuanza-Norte e estará aum a passo de chegar a qualquer outro lugar.

Entre as mediadas de protecção, apelou ao uso da máscara em locais indicados, a lavagem frequente das mãos, o uso do álcool gel, bem como o distanciamento entre as pessoas.

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