Editorial: Depois dos aplausos

Editorial: Depois dos aplausos

E depois dos aplausos, com o fecho abrupto da cortina da crise, que escondeu o palco do espectáculo da desgraça alheia, vem o vazio. Em alguns casos até as lágrimas. Não faz muito tempo, a sociedade aplaudia e exultava com a desgraça de alguns. Porque nestes casos o povo pensa sempre que será apenas para alguns.

O desfile de encerramentos de empresas, os processos, as sensações de justiça chegaram a fazer delícias. Eram aplausos que se levantavam. Mas a vida trazia mais. Trouxe mais. A desgraça de outro pode sempre alcançar a todos. Há agora trabalhadores dos bancos encerrados sem salários, há funcionários de superfícies comerciais à beira do desemprego.

Há a desactivação de milhares de postos de trabalho. E como se não bastasse a natural crise gerada pelo sistema económico nacional, pelos vícios do mercado, agora soma-se a Covid- 19. Não era previsível. Mas antecipar sempre possíveis problemas é obrigatório.

O bom é quando eles vão chegam.