Na periferia do mundo

Na periferia do mundo

Dá alguma graça, apesar de ser triste, ver alguns dos nossos políticos a fazer discursos que mais parecem submetidos a um colégio de psiquiatras do que para uma sociedade que, mesmo sendo pouco, tem já sentido crítico apurado.

Estes poucos procuram dissecar o que ouvem e buscar-lhe causas e defeitos. O resto, a grande maioria, simplesmente tapa-lhes os ouvidos e segue a vida. Aí está o grande defeito. Eu cá, por mim, às vezes divirto-me.

Lembro-me de alguns discursos sobre o turismo que quase nos colocavam na vanguarda. Gostaria de ver as mesmas pessoas a repetir que somos um país competitivo, que entramos no circuito mundial do golfe, que temos isto e temos aquilo.

Agora, o mundo vai-se desconfinando, e nós a imitar, mas o mundo que se desconfina está numa disputa por turistas, para fazer entrar dinheiro. Nós, se calhar, mesmo pagando ninguém virá.

E as razões são simples: depois do fecho, o turista quer coisa diversa, quer bom preço, quer mobilidade, quer, exige, água potável e corrente, o mínimo para as medidas de bio-segurança. E é este mínimo que nós não temos, que nunca tivemos nos momentos daqueles discursos que fariam as delícias de psicanalistas.

Em muitos aspectos, incluindo o turismo, estamos na periferia do mundo. É melhor aceitar a realidade e trabalhar para caminharmos para o centro, fingir que somos o centro é insanidade pura.

Bem, os tais dos discursos já devem estar a pagar testes para irem de turismo ao verdadeiro centro, o povo aqui só lhes olha só já.