Por que as autoridades chinesas culpam o salmão pelo novo foco de Covid-19

A China tenta evitar um novo surto da doença e teme que ela possa estar a chegar ao país através de peixes importados. Um salmão importado é o principal suspeito de um surto novo de Covid-19 que está a paralisar Pequim, segundo as autoridades.

E as repercussões da situação estão a chegar até ao Chile, que é o segundo maior exportador de salmão do mundo. Segundo a cadeia chinesa CCTV, até Quarta-feira (17) as autoridades do país asiático só haviam proibido expressamente as importações de salmão da Europa, que seria a origem do pescado supostamente contaminado.

Mas todas as vendas de salmão sofreram o impacto. Mesmo antes da proibição, diversos supermercados e restaurantes se apressaram a retirar o produto de circulação. “Apesar de não haver restrição oficial para a entrada do produto, o medo dos consumidores da China faz com que o salmão não esteja mais a entrar no país”, afirma uma reportagem do jornal chileno ‘La Tercera’.

A situação afectou os preços do produto, mesmo que a China seja apenas o quinto maior mercado para os produtores chilenos de salmão. Muitos dos produtores também acreditam que o salmão logo será “inocentado”.

“Não existe evidência que sugira que o Sars-CoV-2 possa contaminar animais aquáticos”, disse o gerente comercial da empresa chilena Ventisqueros, Fernando Perez, ao jornal La Tercera.

“Isso já é passado para os nossos clientes, e estamos a monitorar as reacções para ver como podemos retomar as nossas vendas regulares”, disse.

Mas como o salmão acabou ligado à pandemia de Covid-19?

Numa tábua de cortar na semana passada, 137 novos casos de Covid-19 foram revelados na China. A maioria dos casos está ligada ao mercado de Xinfadi, por onde passam 80% dos alimentos consumidos em Pequim. A capital chinesa havia passado 57 dias sem registar novos casos de Covid-19.

Segundo a imprensa local, o vírus foi encontrado em tábuas de cortar utilizadas por um vendedor de salmão importado. Para o epidemiologista-chefe do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China, Wu Zunyou, é possível que o vírus tenha chegado do exterior junto com o pescado.

“Na cadeia de alimentos frios um vírus pode sobreviver por mui- to tempo, entre dois a três meses”, disse Wu para a CCTV. “É uma possibilidade. Mas temos que ter mais evidências para que se demonstre ou desminta isso.”

Os produtores e o Governo do Chile convidaram os chineses para fazer uma “inspecção remota” de três centros de criação de pesca. Uma das inspecções ocorrerá hoje, Sexta-feira. Mas mesmo que as autoridades chinesas sejam convencidas de que não há riscos, ainda haverá a tarefa de convencer os consumidores chineses a mudar de ideias.

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