Carta do leitor: Uma dor de cão do caraças

Acordei hoje um pouco mal disposto. De Manhã ao acordar, dirigi-me para o quintal, reparei que meu Cão não estava bem! Olhava para mim com os olhos bem fundos e tristes.

Meu Cão quando está doente seus olhos se afundam! Parecendo pedir ajuda, gritar por socorro! Seu rabo já não parecia dizer-me sim e não, simultaneamente.

Nem um gemido sequer emitia. Não esboçou um cumprimento de Cacimbo. Seu corpo exprimia um definhar rápido, desde o final do dia anterior quando o vi, para uma manhã seguinte, de Cacimbo tímido.

Um olhar apenas. Um simples olhar que só quem com ele convive, decifra! Estou a morrer. Ajuda-me. Uma má disposição tomou conta de mim. E uma questão me dilacerava a alma: Ir para o trabalho ou para o veterinário. A resposta foi pronta, lógica e lúcida. Não tive dúvidas.

Preparei- me. Sem as luvas, dei-lhe um banho rápido de água fria, para diminuir o odor característico que um cão produz, quando está já há uma semana sem o banho regular possível. Um banho de Cão, enquanto lhe afagava os pêlos para criar-lhe algum conforto! Deixei-o assim mesmo. Molhado. Seus pelos ganharam uma outra textura! Estava higiênico e aromaticamente mais apresentável.

Meu Cão é também politicamente correcto. Mas só morde as pessoas certas! Os invasores, diga-se. Os vampiros de sangue alheio. Como bom cão, ele pressente, por instinto! Está-se borrifando para quem (mal) pensa! Enterra bem fundo seus caninos para quem é maldizente e mal intencionado inato.

Já me parecendo mais seco. Coloco meus frágeis braços sobre os seus cerca de 30 Kg, levantando até a minha cintura perdeu aproximadamente 7\8kg) e coloco na parte de trás da viatura! E arrancamos! Ia eu com o coração nas mãos! Num estado igual aquele que me acontece quando vou eu próprio ao médico.

Confesso que prefiro ir ao trabalho e estar com quem pouco ou nada conheço! É verdade que nos dias de hoje, são raras as vezes que se conhece mais quem ali, ao nosso lado se senta! Adiante.

Que surpresas de custos terei com algo não previsto?! Estou já frente ao balcão, respondendo às questões costumeiras. Tão aflito estava pelo Cão e pelos custos que entrei sem máscara! A menina do outro lado do balcão questionou-me e bem: A máscara?! Eu, meio zonzo, respondi-lhe que o meu Cão não tem máscara.

Ela riu-se! E foi nesse momento que Eu me dei conta que era a minha que ela questionava. Tomei em mim e disse-lhe um ah, obrigado, vou já buscar.

Dirigi- me ao carro, peguei na máscara e retornei ao balcão! Fez- se a peritagem burocrática e levei o Rex à presença da veterinária! De injecção a injecção, somada a maior receita médica que já vi na Vida, ainda curta, de um Cão e mesmo na minha já longa Vida!

Ficou-me os olhos da cara e… do Rex! Mas ambos estamos um pouco mais bem dispostos, porque me fez perceber, naquele seu olhar esbugalhado, fundo, nestes tempos de dor endémica e pandémica em que todos vivemos de confinamentos sociais da alma e espírito, que vão para lá do Coronavírus, o profundo significado da dor de Cão!

Tadeu Fortes 

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