Crianças autistas necessitam de mil cestas básicas por mês para enfrentarem a Covid-19

As cestas básicas que receberam desde o início da pandemia no país não foram suficientes para contemplar as 965 crianças e adolescentes da associação APEGADA. Como o kit não chega para alimentar as famílias durante um mês, muitos voltam a bater a porta da instituição depois de verem esgotado o que receberam

Desde que foi declarado o estado de emergência no país, em Março, a Associação Angolana de Apoio a Pessoas Autistas e de Transtornos Global de Desenvolvimento (APEGADA) recebeu 821 cestas básicas da Comissão Intersectorial e de privados.

O presidente da APEGADA, António Teixeira, disse a OPAÍS que em virtude do número de crianças que a associação controla, o kit de cestas básicas não tem sido suficiente para atender todas as famílias.

“Neste momento, temos 965 associados e a maioria são de famílias monoparentais ou pais desempregados, que passam por muitas dificuldades para alimentar os filhos” esclareceu, o responsável.

De um modo geral, as cestas básicas que recebem são compostas por um quilo de feijão, arroz, açúcar, sal, óleo e uma barra de sabão. António Teixeira explicou que este kit não chega para alimentar um agregado familiar durante um mês, o que tem feito com que as famílias voltem a bater às portas da associação.

“Todos os dias temos à porta da instituição pais das nossas crianças solicitando alimentos porque pensam que temos armazenados alguns produtos”, queixou-se, Teixeira, tendo frisado que se limitam a sensibilizar os pais para regressarem à casa e que, tão logo recebam algum produto, lhes farão chegar.

António Teixeira disse que para minimizar a carência das famílias necessitam de, no mínimo, mil cestas básicas por mês, durante este período de Covid-19.

Papel do Executivo

António Teixeira reiterou que faz parte das responsabilidades do Governo cuidar da protecção de crianças desfavorecidas, entre as quais as que têm dificuldades mentais.

“É preciso que o nosso Governo perceba que estes deficientes mentais noutros países sempre beneficiaram do apoio com uma rúbrica do Orçamento Geral do Estado. Espero que no nosso caso também se efective”.

Recordou que a atribuição de subsídio de incapacidade para os autistas é uma realidade em países da CPLP como Moçambique, Cabo Verde e Portugal. Namíbia, Zimbabue, Zâmbia e Congo Brazzavile também praticam o mesmo regulamento com leis próprias de protecção de pessoas com deficiência intelectual.

O interlocutor de OPAÍS, que não deixou de agradecer o apoio que têm recebido do Executivo, frisou que pelo facto de os deficientes mentais não fazerem parte do grupo de pressão, em muitos casos têm sido esquecidos.

Apelo à solidariedade dos privados

António Teixeira diz estar a constatar a onda solidária das empresas privadas e associações que têm ajudado vários centros de acolhimento e outras instituições de beneficência que têm sido contempladas nesta fase de Covid- 19.

Entretanto, o presidente da APEGADA apelou a estas mesmas empresas a não se esquecerem das crianças autistas, por constituírem também uma franja da sociedade em condição de vulnerabilidade.

António Teixeira lembrou que não há nenhum centro de acolhimento estatal ou privado que concentrecrianças ou adolescentes com esta enfermidade, mas que estão espalhadas em diversos bairros da capital e das restantes províncias, sendo que um número considerável é controlado pela associação que dirige.

Os interessados em ajudar podem contactar a associação pelo E-mail: apegada_ [email protected] ou pelos contactos 918 811 168/ 927 007 792.

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