Ex-brigadistas do Censo-2014 no Cuanza-Norte reclamam por pagamentos de subsídios

Mais de 500 ex-brigadistas que trabalharam no Censo-2014 na província do Cuanza-Norte reclamam o pagamento dos seus subsídios, seis anos depois

Trata-se de ex-brigadistas que constituíam as Equipas Técnicas Comunais do Censo (ETCC), com realce para os assistentes técnicos, supervisores e inquiridores de todas as comunas dos dez municípios do Cuanza-Norte.

Segundo um dos brigadistas, que prestou esta informação a O PAÍS, a partir de Ndalatando, e que trabalhou no Cazengo, município sede da província, ao longo destes seis anos o grupo tem mantido contactos com o Serviço Provincial do Instituto Nacional de Estatística (SPINE) do Cuanza-Norte, do qual alegam receber apenas promessas.

A fonte deste jornal explicou que durante os cinco meses que trabalharam na campanha de sensibilização ao registo no Censo- 2014 apenas receberam os subsídios uma vez, sendo que os demais colegas com os mesmos cargos que trabalharam nas sedes municipais receberam todos os pagamentos.

Disse desconhecer o motivo de Serviço Provincial do Instituto Nacional de Estatística ter pago os ex-brigadistas municipais em detrimento dos comunais.

“Nos perguntamos se porquê para uns e para outros não”, questionou- se a fonte, que informou que ao longo destes anos já recorreram inúmeras vezes ao SPINE, mas a resposta continua a ser mesma.

“Sempre nos dizem para aguardarmos, mas nunca resolvem, até hoje”, denunciou a fonte, que explicou que também nunca obtiveram resposta que aponte o pagamento para um horizonte temporal mais curto.

Fez saber que tanto a nova como a antiga direcção deste instituto mantêm o mesmo discurso de uma “esperança moribunda”, ironizou, avisando que a expectativa dos reclamantes chegou ao limite.

“Fomos muito pacíficos ao longo destes anos todos, mas, como deve entender, a paciência tem limite e achamos que devemos tomar medidas para vermos o assunto resolvido”.

Segundo ainda a fonte, um professor do II ciclo do ensino secundário, a instituição inicialmente dava respostas, mas nos últimos tempos remeteu-se num silêncio tumular, o que está a provocar descontentamento no seio destes, maioritariamente, jovens.

Contou que o director cessante, ainda dava alguma informação de esperança de que os subsídios seriam pagos, mas quase no fim do seu mandato já não atendia ninguém que o solicitasse sobre o caso.

Citando o antigo responsável da instituição, cujo nome não avançou, a fonte disse que aquele sempre disse que havia dinheiro disponibilizado pelo Governo, mas desconhecia as razões que faziam com que o instituto Nacional de Estatística, através do Ministério do Planeamento, na altura liderado pelo ex-ministro Job Graça, não mandava pagar os subsídios.

De acordo com a fonte, o director cessante, na véspera da sua saída, tinha dito que a situação dos subsídios estava inserida na Dívida Pública, pelo que os ex-brigadistas deviam contactar o Ministério do Planemento.

“Não o fizemos porque fomos contratados pelo SPINE e cabe a ele resolver esta situação, esclareceu a fonte. O dinheiro reclamado aponta que mensalmente um assistente técnico comunal ganhava 120 mil Kwanzas, responsável de equipa 88 mil kwanzas, supervisor 60 mil kwanzas, e 40 mil para o inquiridor.

Manifestação pacífica

Alertou que caso a situação prevaleça, os brigadistas prometem realizar manifestações pacíficas e coordenadas, em frente à sede do Governo da Província do Cuanza-Norte, para forçar as autoridades locais a resolver este assunto.

Disse ainda que a mesma realizar- se-á em pela crise da Covid- 19, apesar dos riscos de eventuais contágios, numa altura em que a província registou os primeiros quatro casos fora de Luanda, a capital do país.

Antes, disse, nos próximos dias, será constituída uma comissão de antigos responsáveis, ou seja, assistentes, para encetar um diálogo com o governador provincial, Adriano Mendes de Carvalho, de quem a fonte disse ser um homem “muito sensível” com o problema dos governados.

Exemplificou que, recentemente, um grito de socorro lançado nas redes sociais sobre a crítica situação sócio-económica da comuna de Kikiemba, município do Bolongongo, permitiu a reacção rápida do governador para inverter o quadro.

“Por isso, estamos convencidos de que o senhor governador pode dar impulso para ver este assunto resolvido por quem de direito”, disse.

Director recusa-se a falar

Contactado ontem, via telefone, sobre o assunto, actual director do SPIN E do Cuanza-Norte, Alberto Ginga, recusou-se a falar sobre o assunto, esclarecendo apenas que “a sua fonte tem de vir ter connosco para dar uma explicação sobre o assunto”.

Ante a nossa insistência, o responsável foi irredutível na sua afirmação, reiterando que não avançaria qualquer pormenor sobre o assunto, mas apenas com a fonte, que pretendia conhecer.

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