Líder de manifestação contra o desemprego desaparecido há 8 meses

Dois dias depois de ter estado entre os líderes de uma manifestação no Cazenga, contra o elevado índice de desemprego, Afonso Manuel Mpanzo, desapareceu misteriosamente, isto em Outubro do ano passado. A mulher conta que o marido anteriormente tinha sofrido ameaças de morte, por telefone

Um grupo de jovens, na manhã de 16 de Outubro de 2019, sob a liderança de Afonso Manuel Mpanzo e outros, decidiu manifestar-se contra o elevado índice desemprego que se regista no país, uma vez que durante a campanha eleitoral do MPLA, para o mandato do Presidente João Lourenço, foram prometidos aos cidadãos angolanos 500 mil empregos para a juventude.

De forma pacífica, Afonso decidiu juntar-se para fazer a sociedade lembrar-se do incumprimento daquela promessa eleitoral e pressionar o Governo a solucionar o problema do desemprego.

O que Afonso não sabia é que tal facto lhe custaria várias ameaças de morte. Segundo a sua esposa, Helena, que falou com o jornal OPAÍS, Afonso Mpanzo recebeu várias chamadas anónimas cujos autores proferiam ameaças.

Chegou a comentar com a esposa sobre a situação que vivia depois da manifestação, mas pediu a ela que se mantivesse calma, pois nada lhe iria acontecer.

“Dois dias depois da manifestação, Afonso desapareceu. Naquele dia, eu tinha ido vender na praça e quando regressei ele não estava em casa. Procuramos, com os filhos, e nada.

Uma semana depois contactei a família dele e começamos uma nova busca. Fomos até ao Comando da Polícia do Cazenga, mas até hoje nada do Afonso”, disse, a esposa. Helena, ante esta situação, e por medo, não se encontra na província de Luanda, mas tem mantido contacto com a família de Afonso para saber se o marido já apareceu.

O certo é que Afonso está desde 18 de Outubro de 2019 desaparecido, tendo, antes de ontem, completado oito meses.

“A Polícia só diz que continuam à procura dele, e mais nada”, acrescentou Helena, que não se lembra do teor das ameaças que eram proferidas ao seu marido, mas que as resume em basicamente deixar o activismo político, sob pena de perder a vida. Helena vive maritalmente com Afonso há 6 anos.

Os familiares do activista desconhecem o seu paradeiro, e também reforçam que dias depois da manifestação Afonso recebeu vários telefonemas com ameaças de morte vindos de pessoas desconhecidas.

O seu desaparecimento do seio familiar cria um desconforto grande e deixa angustiada a mulher, que tem dois filhos para criar, e é empregada.

Houve brutalidade durante a manifestação

A manifestação teve início às 10 horas dos dias 15 e 16 de Outubro de 2019, partindo da Avenida Deolinda Rodrigues para a Assembleia Nacional. Os manifestantes foram reprimidos, com cães e gás lacrimogéneo, muitos foram feridos, Afonso Mpanzo era um dos líderes dos manifestantes, como fez saber Francisco Mpangui, o irmão.

“O meu irmão sofreu muita agressão policial no dia da manifestação. Na mesma noite, recebeu várias ameaças de morte ao telefone, até sentir-se obrigado a trocar de número, isto no dia seguinte à manifestação.

Saiu à procura de algum sustento para a sua família e nunca mais voltou.

Já batemos todas as portas possíveis, até hoje desconhecemos o seu paradeiro”, lamentou Francisco, com lágrimas nos olhos.

O activista vivia com a esposa e dois filhos no município do Cazenga e os familiares o descrevem como uma pessoa apartidária, que nunca teve problemas com a vizinhança e que muito se preocupava com os problemas da juventude.

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