Carta do leitor: Jornalistas “na linha da frente” na luta contra a covid-19

Por: Afonso Lau 

O mundo todo está engajado na luta contra a covid-19, não obstante dar-se mais crédito aos profissionais de saúde, pelo excelente trabalho que têm feito, salvando vidas, em consequência, arriscando as suas. 

Todos nós, de modo geral, temos dado o nosso contributo na luta contra este inimigo invisível respeitando as regras de prevenção e mantendo-se em casa. 

Neste contexto, a atenção especial vai aos jornalistas que, a meu ver, de igual modo aos profissionais de saúde, estão na linha da frente dando um grande contributo nesta luta – informando a sociedade tudo que está em volta à pandemia. 

actividade jornalística nunca foi fácil, o jornalista sempre encontrou dificuldades para exercer a sua função. Dificuldades estas, que multiplicaram, nos últimos meses, devido à pandemia da covid-19. 

Podemos considerar um acto heroico destes profissionais, pelo facto de trabalharem, nalguns casos, sem os devidos cuidados de biossegurança, arriscando, assim, as suas próprias vidas. 

Independentemente das circunstâncias, os profissionais de jornalismo não param de informar. Seja em tempos de guerra, desastres naturais, inclusivamente, pandemias. Pois, a actividade jornalística é um serviço público, social e humano. É amar, é informar os factos tais como ocorrem; sobretudo defender e promover a verdade. 

Nesta ordem de ideia, tendo celebrado a 03 de Maio, dia Mundial da Liberdade de Imprensa, impõe-se a valorização da comunicação social, em particular angolana, pelo trabalho que tem prestado à Nação. 

Em vésperas do dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinalou em Maio, a organização suiça Press Emblem Campaign, alertou que muitos jornalistas estão em risco ao cobrir a crise da covid-19. 

Tem havido protecção insuficiente dos funcionários dos órgãos de comunicação social que cobrem a pandemia. Os jornalistas deslocam-se aos centros de internamentos de pacientes infectados pelo vírus, têm acesso aos laboratórios onde são processadas as amostras do coronavírus. 

No caso de Angola, nas periferias, eles não conseguem manter o distanciamento físico exigido, devido ao aglomerado de pessoas que é característico nestas zonas, inclusive, em tempo de crise do vírus, dificultando o trabalho. Muitos estão afastados de seus familiares com intuito de evitar possíveis contágios. 

“Num comunicado, a ONG Press Emblem Campaign (PEC), que luta pela protecção dos jornalistas, com sede em Genebra, disse que identificou desde 1 de Março, “a morte de 55 jornalistas em 23 países por causa do coronavírus”. 

O Equador é o país mais afectado, com pelo menos nove jornalistas mortos devido ao vírus, seguidos pelos Estados Unidos (oito), Brasil (quatro), Grã-Bretanha e Espanha (três cada), de acordo com a contagem”, (JA de 02/05, pa.32). 

Segundo líderes de organizações não-governamentais, tem-se registado supressão da liberdade de expressão, de reunião e de manifestação. 

“Censuras, encerramento de ‘sites’, detenções arbitrárias de jornalistas, ataques físicos e verbais e legislação de excepção que restringe a liberdade de imprensa, estão entre as violações observadas nas últimas semanas”, denunciou o Secretário-Geral da organização não-governamental (PEC), Blaise Lempen. 

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