Conhecem os Nano empresários?

No último artigo abordei a questão do apoio que os centros de formação poderiam dar com planos de formação e com o suporte do executivo, nomeadamente através do Ministério da Acção Social, Família e Protecção da Mulher.

Em Janeiro, de acordo com o site www.masfamu.gov.ao, o ministério criou uma acção para a inclusão das famílias, dando condições relacionadas com a criação de cooperativas e a cedência de micro-créditos.

Neste mesmo artigo referi que a ministra Faustina Alves, que falava à imprensa no acto de inauguração do Centro de Acção Social Integrado (CASI), informou que o ministério está agora num processo de descentralização, desconcentração e transferência de competências para os municípios, dotando os quadros das administrações municipais de capacidade para resolver os problemas locais, porque o paradigma anterior era mais concentrado.

E tais acções decorreram nas províncias do Zaire, Bié, Moxico e Uíge (construção do CASI), faltando ainda 20 por construir.

Havendo esta intenção já em processo de implementação, surge a pergunta: que impacto (para os centros abertos) este centro (CASI) está ou irá ter na sociedade angolana?

Apenas temos a seguinte informação: “O grupo assumiu um compromisso com o governo da província, em que uma parte dos valores arrecadados é para as famílias, enquanto que a outra parte é depositada num banco, para aumentar o investimento e permitir a integração de mais cidadãos na mesma cooperativa”

O que anotei é que não temos nenhuma divulgação, com números, nenhum tipo de estatística e que a intenção da criação da cooperativa parece mais um acto pontual, para que se possa perceber que se está a cumprir com a agenda do Ministério.

E aqui começa o erro!!!!

Deve sim o ministério criar um plano de marketing em comunicação digital, mostrando o impacto do antes e do depois destas acções implementadas e apoiadas pelo executivo. Não o fazendo, não conseguimos sequer estimular o regresso de famílias às províncias, não conseguimos estimular as próprias famílias destas províncias. Esta divulgação deve preocupar-se em transmitir três pontos essenciais:

●Como fazer parte desta cooperativa

● Requisitos para ter acesso ao Micro Crédito

● Planos de formação

Ainda acrescentaria um outro ponto:

● Um plano, onde apresentaria as vantagens em regressar à sua terra natal e fazer parte da cooperativa.

Se começarmos por este ponto iremos perceber que muito migrante retornará à sua terra natal por perceber que existem oportunidades. Mas para isso é necessário dar a conhecer! E, infelizmente falta-nos esta sensibilidade!

Proposta para o Executivo:

● Criar centros de formação nas localidades que reconhece serem as mais atractivas a nível económico para as comunidades mais necessitadas, criando Nano empresários locais;

● Fazer entender a importância da formação subsidiada, por ser um factor dinamizador e motivador de regresso à sua origem;

● Fazê-los perceber que são rosto de uma nova terra /província de oportunidade… quem sabe até um luandense Nano-empresário migre para uma dessas regiões;

● Identificar que tipo de negócios devem ser comercializados na cooperativa; ● Indicar onde devem ser comercializados e padrões a respeitar;

● Indicar quais os procedimentos para o acesso ao cartão dos que fazem parte da cooperativa e a respectiva autorização após a formação subsidiada.

#Trabalhe com protecção

Kénia Camotim

Economista!

error: Content is protected !!