Mais quatro casos de Covid-19, um óbito e duas cercas sanitárias levantadas

O secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda, revelou, em Luanda, que nas últimas 24 horas foram confirmados mais quatro casos positivos de transmissão local de Covid-19, entre os quais um óbito, perfazendo, assim, um total de nove mortes em 176 casos. E que, por outro lado, fez-se o levantamento da cerca sanitária imposta durante 21 dias a Clínica Multiperfil e a do distrito do Hoji ya Henda, com mais de 40 dias

O número de cidadãos infectados pela Covid-19 em Angola subiu para 176, dos quais nove resultaram em óbito, 66 estão recuperados e 101 activos, sendo que um deles requer atenção especial e os restantes estão clinicamente estáveis nas unidades sanitárias de referência.

Franco Mufinda, que fazia a habitual actualização dos dados sobre a pandemia no país, esclareceu trata-se de quatro cidadãos angolanos (os novos), dos quais três contactos de casos positivos da clínica Multiperfil.

“O primeiro caso está relacionado com a Clínica Multiperfil. É de um angolano assintomático de 42 anos de idade, técnico de apoio hospitalar”, frisou.

Descreveu o segundo caso como sendo um angolano de 62 anos de idade, contacto de um paciente falecido na Clínica Multiperfil.

O terceiro tem 37 anos de idade, é técnico do laboratório e contacto de um dos médicos angolanos também relacionado com a cerca sanitária da Clínica Multiperfil.

Fez saber que os três casos já estão internados num dos centros de tratamento de referência, onde estão a ser assistidos. Entretanto, explicou que o quarto caso é de um cidadão angolano de 18 anos de idade que estava internado na Clínica Girassol.

Teve uma descompensação no seu quadro drepanócitico e malária grave.

O secretário de Estado para a Saúde Pública disse que durante o seu curto internamento, o paciente iniciou o quadro de insuficiência respiratória aguda grave e acabou por morrer ontem.

“Ele esteve em terapia intensiva e ventilado, mas infelizmente evoluiu para óbito”, frisou. Acrescentou de seguida que “importa realçar que o resultado do seu teste foi obtido ontem, ao final do dia, e, desde aquela altura, foi manuseado como doente de Covid-19. Quanto a este caso, está em curso o rastreio dos contactos dos contactos”, frisou.

Cerca da Multiperfil e Hoji ya Henda levantadas

Cerca de 268 pessoas que estavam confinadas na cerca sanitária da Clínica Multiperfil, em Luanda, receberam alta, ontem, e regressaram ao convívio familiar, em consequência do levantamento da cerca sanitária imposta há 21 dias.

Franco Mufinda disse que todos os profissionais da Clínica Multiperfil que estavam dentro dessa cerca testaram negativo e, nos próximos dias, irão iniciar a desinfecção de toda a clínica, estando em curso a testagem de todos os trabalhadores que estão fora da cerca.

“Nós temos por aí pouco mais de 1.200 amostras que estão a ser processadas e vamos, paulatinamente, divulgando os resultados”, contou. Realçou que os profissionais que testaram negativo estão à volta de 268 e que dos 176 casos positivos do país, cerca de 15 são da Clínica Multiperfil.

Por outro lado, contou que foi levantada a cerca sanitária do Hoji ya Henda, onde foram testadas mais de 3.500 pessoas e detectados alguns casos positivos que foram divulgados nos dias anteriores.

De acordo com Franco Mufinda, apesar do levantamento desta cerca, vão continuar a manter o aperto da vigilância epidemiológica, bem como realizar de forma aleatória uma testagem serológica.

De recordar que após 40 dias de os cidadãos do distrito do Hoji-Ya- Henda, município do Cazenga, terem ficado privados da circulação devido ao registo do primeiro caso de Covid-19, de um cidadão comerciante da Guiné Conacri, o mediático “Caso 31”, desde ontem voltaram ao convívio normal, em consequência do levantamento da cerca sanitária imposta desde o dia 10 de Maio.

O Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) recebeu 78 chamadas, das quais dois alertas de denúncia de casos suspeitos de Covid-19, 56 pedidos de informação sobre o vírus e 20 denuncias de violação de regras de conduta em situação de calamidade publica.

Em relação ao laboratório, Franco Mufinda fez saber que até a presente data o país tem um corte de 19.960 amostras colhidas, dentre elas 176 positivas, 16.071 negativas, e o resto se encontra em processamento.

“Nas últimas 24 horas, nós conseguimos processar 420 amostras, sendo quatro positivas”, disse.

País com registo de 111 casos de transmissão local

Franco Mufinda disse ainda que há 596 pessoas a observar a quarentena institucional em todo o país, sendo que no período em referência cinco pessoas receberam alta, sendo três na província de Luanda, uma no Bié e outra no Zaire.

Explicou que os casos suspeitos investigados são 512, enquanto os contactos sob investigação chegam a 1.290 pessoas e a transmissão local conta 111 casos. Por outro lado, disse que, ontem, a Comissão Multissectorial levou material de bio-segurança às províncias do Namibe e Cunene e trouxe de volta, à Luanda, 23 cidadãos angolanos que observaram a sua quarentena institucional em terras de Rei Mandume.

As cidadãs já se encontram nas suas residências, uma vez que os seus exames deram negativo. Franco Mufinda reiterou o uso da máscara, a lavagem com frequência das mãos com água e sabão, o uso do álcool gel, o observar do distanciamento físico, a não descriminação das pessoas que vivem com a Covid-19 e, sobretudo, o acatamento das medidas contidas no decreto de situação de calamidade pública.

“Cercados” da Multiperfil surpresos com levantamento da cerca

Contam os profissionais da Clínica Multiperfil que o levantamento da cerca sanitária imposta nessa unidade hospitalar há mais de 21 dias surpreendeu a todos.

Em declarações a OPAÍS, Carlos Cunha, da Hotelaria, disse que a quarentena foi dramática, mas todo o tempo que ali passou estavam bem, apesar de as notícias nas redes sociais, e não só, dizerem o contrário.

“Muita coisa que se dizia aqui fora não era credível. Se tratavam de informações erradas. Nós estamos aqui e estamos bem. Recebemos uma boa diversão.

As pessoas diziam que estávamos a comer carninha com massa e era tudo mentira. Agora vamos para casa e aqui no hospital já não tem doente”, contou.

O segurança dessa unidade hospitalar João Amaro, por sua vez, disse estar feliz pelo simples facto de ter testados duas vezes a Covid-19 e resultados terem sido negativos.

Considerou ser uma honra ter recebido um resultado negativo, uma vez que esteve confinado durante 30 dias, sendo 27 da cerca sanitária e outros três dias em condições normais de trabalho.

Fez saber que a sua família ficou feliz ao receber esta notícia que o apanhou de surpresa e o aguardavam expectantes em casa. “Fomos surpreendidos na altura que decidiram colocar a cerca. Nós trabalhávamos num regime de 15 dias de quarentena e 15 dias em casa. Quando se levantou a cerca sanitária foi tudo surpresa.

Apenas comunicamos à família e uma parte esteve consciente, o resto não entendeu nada”, contou o jovem. Já a técnica de enfermagem Antónia Mateus contou que está muito feliz por se ter levantado a cerca sanitária, uma vez que iria reencontrar os filhos. Por outro, a nossa interlocutora estava feliz porque ganhou de novo a sua liberdade.

Contou que a quarentena apanhou-os de surpresa, uma vez que quando as autoridades chegaram para colocar a cerca primeiro fecharam as portas e só depois é que foram avisados.

“Graças a Deus conseguimos. Ficamos confinados 21 dias. Fizemos dois testes e todos negativos. Podemos voltar às nossas casas com segurança”, disse.

Apesar de ser surpresa o levantamento dessa cerca, a técnica de enfermagem disse não saber quando a clínica voltará a abrir, uma vez que ainda será totalmente desinfectada, mas sente- se muito feliz.

Aproveitou a ocasião e deixou uma mensagem aos utentes para que continuem a procurar a clínica, que por enquanto será desinfectada e vai abrir de novo.

“Nós vamos estar preparados para atender todo o mundo”, disse.

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