Associação dos Antigos Combatentes envolvida na venda de terrenos

O distrito do Ramiros, município de Belas, em Luanda, começa a capitalizar as atenções dos cidadãos no que se refere a questões de venda ilegal de terrenos, sendo algumas parcelas reservas fundiárias do Estado. A circunscrição virou um “el dourado” para este tipo de negociatas

Na suposta venda de terrenos está a Associação de Antigos Combatentes residentes nesta circunscrição, dirigida por Ângelo Tomé.

A denúncia é do Observatório para a Coesão Social e Justiça (OCSJ), uma instituição ligada aos direitos humanos, que está a defender um caso de um grupo de camponeses, depois de ter sido solicitada por estes.

Segundo o advogado de defesa dos camponeses, Zola Bambi, um grupo de doze camponeses, possuidores de uma parcela de terreno de 18 mil e 948 mil metros quadrados, transformada em cooperativa, está numa disputa de possessão de terrenos com a Associação de Antigos Combatentes liderada por Ângelo Tomé.

A associação é acusada de ser a mentora de esbulho de terrenos, sob pretexto de todo o distrito do Ramiros ter sido concedido exclusivamente aos antigos combatentes pelo primeiro Presidente angolano Agostinho Neto.

Sob este pretexto, de acordo com a fonte, aproveitando-se da fragilidade dos camponeses indefesos, a associação está, alegadamente, a expropriar quantidades de terrenos neste distrito, ante o alegado olhar impávido e sereno da Administração Municipal de Belas, numa altura em que as acusações dos camponeses sobem de tom, apesar de parte destes terrenos ter sido concedida legalmente pela Administração Municipal de Belas, ainda na vigência do antigo administrador António Mateus da Costa (Godô).

Em declarações a OPAÍS, a coordenadora da cooperativa dos camponeses, Natália Bongue, contou que a instituição que dirige está “em pé de guerra” com a Associação dos Antigos Combatentes sobre a titularidade do terreno.

“Nós estamos aqui desde 1986, crescemos aqui e foram os nossos pais que tinham estes terrenos e bem legalizados junto do Ministério da Agricultura, mas hoje nos querem retirar porque dizem que o presidente Agostinho Neto é que os ofereceu”, explicou.

Numa reportagem feita no terreno, Natália Bongue exibiu documentação que atesta a titularidade legal do terreno passada pelo então administrador do Belas.

Informou que Ângelo Tomé é o responsável do alegado esbulho de terrenos, cuja situação a fonte avançou que remonta a vários anos.

Natália Bongue disse ainda que por defender o interesse colectivo dos camponeses, tem sofrido ameaças contra a sua integridade física, mas ainda assim diz que nunca vai arredar o pé.

“Nós estamos aqui para defender o que é nosso, porque este é património deixado pelos nossos pais”, reiterou Natália Bongue, que informou que por ter denunciado o caso à Rádio Despertar foi apontada como tendo dupla filiação partidária.

“Eu sempre fui da OMA, mas pelo simples facto de ter denunciado a tentativa de expropriação de terreno, me acusam de ser da LIMA e ter dupla filiação”, sustentou.

Denunciou que a Associação dos Antigos Combatentes do Ramiros destruiu uma casa sua num dos terrenos e foi advertida de nunca voltar a colocar lá os pés, sob ao risco de ser detida.

Admite que por detrás da usurpação de terras estejam também membros da Administração Municipal do Belas, apesar de ter sido esta entidade a ter legalizado o terreno.

Disse ser estranho que um terreno legalizado pela autoridade competente volta e meia seja posto em causa, aproveitando-se da saída do ex-administrador municipal.

Responsável recusa falar

Contactado sobre o assunto, o responsável da Associação dos Antigos Combatentes, Ângelo Tomé, recusou falar sobre o assunto, alegando que já não faz parte desta associação, desde o ano passado. “Já não estou aí, por isso não comento sobre este assunto, que é antigo”, declarou, sem mais pormenores.

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